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Casa Branca diz que não vai colaborar com inquérito de impeachment

Governo Trump diz à Câmara que inquérito é "inconstitucional" e "ilegítimo"

8 out 2019
20h21
atualizado às 21h23
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A Casa Branca informou nesta terça-feira que não pretende cooperar com o inquérito de impeachment que pesa contra o presidente Donald Trump, classificando a apuração como "sem base", "inconstitucional" e "ilegítima". A afirmação foi feita em um comunicado oficial de oito páginas enviada à presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi.

"Suas ações sem precedentes deixaram o presidente sem escolha", disse na carta o advogado e conselheiro de Trump, Pat Cipollone. "Para cumprir seus deveres com o povo americano, a Constituição, o Poder Executivo e todos os futuros ocupantes da Presidência, o presidente Trump e seu governo não podem participar de seu inquérito partidário e inconstitucional sob essas circunstâncias".

Em um telefonema, Trump pediu repetidamente para que o presidente da Ucrânia   tomasse providências para investigar o ex-vice-presidente americano Joe Biden e seu filho, Hunter.
Em um telefonema, Trump pediu repetidamente para que o presidente da Ucrânia tomasse providências para investigar o ex-vice-presidente americano Joe Biden e seu filho, Hunter.
Foto: DW / Deutsche Welle

Cipollone ainda argumentou que o inquérito, que apura denúncias envolvendo uma conversa de Trump com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, é "inválido" porque a Câmara não efetuou uma votação formal antes de abrir um inquérito de impeachment. Pelosi anunciou a abertura do inquérito oficial de impeachment no final de setembro, com base nas investigações que tramitam em vários comitês parlamentares, mas o plenário da Câmara não realizou uma votação formal sobre o tema.

A carta foi tornada pública pouco depois de Trump impedir que o embaixador americano na União Europeia (UE), Gordon Sondland, se apresentasse na Câmara para prestar um depoimento no âmbito do inquérito. Sondland é considerado uma peça-chave no caso e já suspeita de que ele teria participado da pressão de Trump sobre a Ucrânia para que o país europeu investigasse Joe Biden, ex-vice-presidente dos EUA e pré-candidato à Presidência pelo Partido Democrata nas eleições de 2020.

O depoimento de Sondland estava marcado para esta terça-feira, mas Trump decidiu vetá-lo. "Eu adoraria enviar o embaixador Sondland, um homem realmente bom e grande americano, para testemunhar", disse o presidente, em sua conta no Twitter. "Mas infelizmente, ele testemunharia diante de um tribunal canguru totalmente comprometido, onde os direitos aos republicanos foram retirados e fatos verdadeiros não foram levados ao público", completou.

Por sua parte, Robert Luskin, advogado do diplomata, disse em um comunicado que "o embaixador Sondland está profundamente decepcionado por não poder testemunhar hoje". Sondland havia concordado voluntariamente em depor, sem a necessidade de uma intimação,

Após o bloqueio, os chefes dos três comitês da Câmara que ouviriam o diplomata (Relações Exteriores, Inteligência e Supervisão) anunciaram que pretendem apresentar uma intimação para que Sondland compareça e apresente seu depoimento. "Nós consideramos que essa interferência é uma obstrução do processo de impeachment", disseram os representantes dos três comitês, em comunicado.

O caso que ameaca o governo Trump estourou em setembro, quando a imprensa revelou que um informante denunciou Trump por pressionar o governo da Ucrânia a investigar um rival democrata, implicando que o presidente americano procurou ajuda externa para interferir nas eleicoes do seu próprio país.

Em um telefonema no final de julho, Trump pediu repetidamente para que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky tomasse providências para investigar o ex-vice-presidente americano Joe Biden e seu filho, Hunter. Trump e seus aliados vêm acusando, sem provas, que o ex-vice teria pressionado pela demissão de um procurador-geral do país europeu para arquivar potenciais investigações contra seu filho, que é membro do conselho de uma empresa de gás ucraniana.

Uma transcriçãoda conversa foi finalmente divulgada pela Casa Branca no final de setembro, confirmando que Trump abordou o caso de Biden com Zelensky. O americano também pediu que Zelensky entrasse em contato com o procurador-geral dos EUA, William P. Barr, e com seu advogado pessoal, Rudy Giuliani, para discutir medidas em uma potencial investigação contra Biden

Embora o americano não tenha feito nenhuma promessa específica a Zelensky em troca da colaboração, ele disse em diversos momentos que os Estados Unidos "fazem muito pela Ucrânia". A imprensa americana e a oposição democrata especulam que o republicano montou um cenário de pressão econômica para conseguir a colaboração do ucraniano.

Uma semana antes do telefonema, Trump havia suspendido uma ajuda militar de cerca de 250 milhões de dólares para a Ucrânia, que trava uma guerra em seu território contra forças apoiadas pela Rússia. Em 11 de setembro, mais de um mês após a conversa, a verba foi descongelada.

O informante ainda denunciou que membros da Casa Branca ordenaram que a transcrição da conversa de Trump com o ucraniano fosse acobertada. Segundo a denúncia, os funcionários da Casa Branca se deram conta do potencial comprometedor da transcrição da ligação e ordenaram que o conteúdo não fosse armazenado no servidor padrão para esse tipo de material. Em vez disso, a transcrição acabou sendo salva em um sistema separado, reservado para informações de acesso restrito.

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