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Bispos australianos querem explicações sobre valor bilionário enviado para o país

Valores foram enviados durante processo contra cardeal

5 jan 2021
11h38
atualizado às 11h50
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Os bispos católicos da Austrália vão pedir para a Austrac, a entidade do governo que investiga crimes financeiros, dados e informações sobre os cerca de 1,4 bilhão de euros enviados pelo Vaticano para o país entre 2014 e 2020.

George Pell foi julgado por abusos sexuais na Austrália
George Pell foi julgado por abusos sexuais na Austrália
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Os valores transferidos em 400 mil transações a partir da Cidade do Vaticano foram enviados para a Austrália durante a época do processo por abusos sexuais do cardeal George Pell, condenado a seis anos de prisão por tribunais da primeira e da segunda instâncias, mas que teve o processo anulado pela Alta Corte.

Em entrevista ao jornal "The Australian", o arcebispo de Brisbane e presidente da Conferência Episcopal da Austrália, Mark Coleridge, disse que a solicitação para a Austrac "está sob exame" para entender para onde foi o dinheiro: se para as dioceses, ordens religiosas ou entes beneficentes católicos.

"O que é certo é que, no meio de grandes incertezas, os bispos australianos não tinham conhecimento dessas transferências até as últimas revelações e ficaram perplexos pela grande quantidade de remessas", ressaltou Coleridge.

Os religiosos ainda estariam preparando um pedido formal para o papa Francisco para que seja investigado e explicado como foi transferido tanto dinheiro para o país sem que eles soubessem, durante seis anos, em um novo escândalo financeiro global da Santa Sé.

A revelação da transferência do valor bilionário foi feito em 23 de dezembro após o pedido de uma senadora, que denunciou que havia ocorrido "uma aceleração" nas transferências de dinheiro durante o processo de Pell.

No entanto, Concetta Fierravanti-Wells não informou como soube que a Igreja estava enviando tanto dinheiro para o país - a mídia especula que houve um vazamento de informações da Polícia Federal, que estava investigando as remessas financeiras.

Pell, o mais alto prelado da Santa Sé a responder um processo por pedofilia, foi condenado em dezembro de 2018 a seis anos de detenção pelo abuso de dois menores em 1996. Em agosto de 2019, a Corte de Apelação confirmou a condenação por 2 votos a 1. No entanto, em abril de 2020, a Alta Corte da Austrália anulou a sentença por unanimidade por falta de provas. O australiano, porém, ainda é alvo de investigação da própria Igreja.

Outro fator polêmico é que, na maior parte do período citado, havia uma briga de poder entre o cardeal Pell e o cardeal Angelo Becciu, "aposentado" de suas funções após um escândalo financeiro de desvios milionários de dinheiro da caridade da Igreja para a compra de imóveis de luxo em Londres.

Entre 2011 e 2018, Becciu era o "número 2" da Secretaria de Estado do Vaticano, controlando grande parte da destinação do dinheiro; já Pell ficou entre 2014 e 2019 à frente da Secretaria para a Economia, sendo um dos mais importantes membros da Cúria Romana. .
   

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