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Beirute se recupera de enorme explosão enquanto número de mortos sobe para pelo menos 135

5 ago 2020 - 09h38
(atualizado às 14h41)
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Equipes de resgate libanesa procuravam nesta quarta-feira sobreviventes nos destroços de edifícios e investigadores apontavam para negligência como causa de uma enorme explosão num armazém que enviou uma onda de devastação sobre Beirute, matando pelo menos 135 pessoas.

Danos causados por explosão na área portuária de Beirute, no Líbano
05/08/2020 REUTERS/Mohamed Azakir
Danos causados por explosão na área portuária de Beirute, no Líbano 05/08/2020 REUTERS/Mohamed Azakir
Foto: Reuters

Cerca de 5 mil pessoas ficaram feridas na explosão de terça-feira no porto de Beirute e até 250 mil ficaram sem casas adequadas para morar depois que ondas de choque destruíram fachadas de edifícios, sugaram móveis para as ruas e quebraram janelas a quilômetros do epicentro da explosão.

Espera-se que o número de mortos aumente em decorrência da explosão que as autoridades atribuíram a um enorme estoque de material altamente explosivo armazenado por anos em condições inseguras no porto da cidade.

A explosão foi a mais poderosa a atingir Beirute, uma cidade ainda com cicatrizes da guerra civil de três décadas atrás, e impactada por uma crise econômica e por um aumento de casos de coronavírus.

A explosão enviou uma nuvem de fumaça aos céus e chacoalhou janelas na ilha mediterrânea do Chipre, a aproximadamente 160 quilômetros de distância.

O presidente do Líbano, Michel Aoun, disse que 2.750 toneladas de nitrato de amônio, usado em fertilizantes e bombas, estavam armazenadas há seis anos no porto, sem medidas de segurança.

Em um pronunciamento à nação durante uma sessão de emergência do gabinete, Aoun disse: "Nenhuma palavra pode descrever o horror que atingiu Beirute na noite passada."

Ele afirmou para a população que o governo está "determinado a investigar e expor o que aconteceu assim que possível, além de responsabilizar os culpados e negligentes, impondo a eles a punição mais severa".

Uma fonte oficial familiarizada com investigações preliminares culpou "inação e negligência" pelo incidente, dizendo que "nada foi feito" por comitês e juízes envolvidos no assunto para ordenar a remoção do material perigoso.

O gabinete ordenou que as autoridades portuárias envolvidas no armazenamento ou guarda do material desde 2014 sejam colocadas em prisão domiciliar, disseram fontes ministeriais à Reuters. O gabinete também anunciou um estado de emergência de duas semanas em Beirute.

O ministro da Saúde do Líbano disse à televisão Al Manar que o número de mortos subiu para 135, com cerca de 5 mil feridos e dezenas de desaparecidos, enquanto a busca pelas vítimas continua depois que as ondas de choque da explosão lançaram algumas das vítimas ao mar.

Parentes se reuniram no cordão do porto de Beirute em busca de informações sobre os que ainda não haviam sido identificados. Muitos dos mortos eram funcionários portuários e alfandegários, pessoas que trabalhavam na área ou dirigiam por perto.

A Cruz Vermelha estava coordenando com o Ministério da Saúde libanês a criação de necrotérios, já que os hospitais estavam sobrecarregados.

Estados Unidos, Reino Unido, França e outras nações ocidentais, que exigem mudanças políticas e econômicas no Líbano, ofereceram ajuda. Alemanha, Holanda e Chipre ofereceram equipes especializadas de busca e resgate. O presidente Jair Bolsonaro também anunciou que o Brasil enviará ajuda ao país.

CATÁSTROFE

"Esta é um catástrofe para Beirute e para o Líbano", disse o prefeito de Beirute, Jamal Itani, à Reuters, enquanto inspecionava danos que ele estima estarem na casa dos bilhões de dólares.

Fachadas de prédios no centro de Beirute foram destruídas, móveis foram atirados às ruas, que ficaram cheias de vidro e detritos. Carros perto do porto capotaram.

"Esse é o golpe fatal em Beirute. Somos uma área de desastre. Meu prédio estremeceu. Eu achei que era um terremoto", disse Bilal, homem na casa dos 60 anos, no centro da cidade.

Como outros, ele culpou a elite política. "Já temos uma crise econômica, as pessoas estão com fome, e esses ladrões, eles vão nos compensar pelas perdas? Quem compensará aqueles que perderam entes queridos?", disse.

"Essa explosão sela o colapso do Líbano. Eu realmente culpo a classe governante", disse Hassan Zaiter, 32, gerente no muito danificado Le Gray Hotel, no centro de Beirute.

Para muitos, foi uma dolorosa lembrança da guerra civil entre 1975 e 1990 que rasgou a nação em duas e destruiu faixas de Beirute, muitas das quais foram reconstruídas. A reconstrução pós-guerra e a corrupção política atolaram o Líbano em dívidas gigantescas.

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