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Trump se enfurece com investigação sobre sua suposta obstrução à Justiça

15 jun 2017
17h47
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se enfureceu nesta quinta-feira e tachou como "falsa" a informação de que o procurador especial Robert Mueller está lhe investigando por possível obstrução à Justiça, enquanto a Casa Branca e os advogados do governante guardaram silêncio sobre o tema.

Em duas mensagens no Twitter, Trump deixou clara sua frustração pela revelação, publicada na noite de quarta-feira pelo jornal "The Washington Post", sobre a investigação de Mueller, que conduz uma apuração independente sobre a suposta ingerência russa nas eleições presidenciais de 2016 nos EUA.

"Inventaram uma falsa conspiração na história dos russos, encontraram zero provas, assim que agora apostam na obstrução de Justiça na história falsa. Engraçado", escreveu Trump no Twitter.

"Estão sendo testemunhas da maior caça às bruxas da história política americana, liderada por gente muito má e com problemas", acrescentou em outro tweet.

Horas mais tarde voltou a disparar, desta vez desviando de novo a atenção para sua rival nas eleições presidenciais, a ex-secretária de Estado, Hillary Clinon.

"Por que os acordos com a Rússia da família de Hillary Clinton e dos democratas não estão sendo investigados, mas os meus 'não-acordos' sim?", se perguntou.

O jornal "The Washington Post", que cita funcionários anônimos, havia informado algumas horas antes que Mueller, que está investigando a possível ingerência russa e os contatos entre Moscou e o entorno de Trump, tinha incluído em sua investigação a possibilidade de que o próprio governante tenha incorrido no crime de obstrução à Justiça.

Caso seja confirmado, o crime de obstrução à Justiça poderia esporear um processo de impeachment contra Trump no Congresso, algo que teria apoio dos legisladores da oposição democrata se forem constatadas as circunstâncias pertinentes.

A Casa Branca não quis fazer comentários hoje sobre a revelação do "Post", ainda que tampouco a tenha desmentido.

"Repassamos todas as perguntas sobre esta investigação ao advogado do presidente (Marc Kasowitz)", disse a porta-voz adjunta da Casa Branca, Sarah Sanders, em uma entrevista coletiva.

O escritório de Kasowitz se limitou a indicar nesta quarta-feira que "o vazamento de informação do FBI sobre o presidente é indignante, indesculpável e ilegal", uma declaração que não questiona o conteúdo do artigo do "Post".

O ex-diretor do FBI, James Comey, demitido por Trump no último dia 9 de maio e que estava antes a cargo da investigação sobre a Rússia, garantiu ao governante que ele não era alvo da mesma, que, no entanto, englobava parte do entorno do governante.

Segundo as fontes citadas pelo "Post", isso mudou desde a demissão de Comey, que assegura que, quando ainda estava no cargo, Trump lhe pediu que "deixasse passar" as pesquisas sobre os vínculos com a Rússia de seu ex-assessor de Segurança Nacional, Michael Flynn.

Esse pedido levou muitos críticos de Trump a acusar-lhe de tentar obstruir a Justiça, e Comey disse que dependia de Mueller decidir se o governante tinha incorrido nesse delito.

O Comitê de Inteligência do Senado, que realiza uma investigação paralela da ingerência russa, decidiu que não vai apurar se Trump tentou obstruir a Justiça, e que deixará esse assunto nas mãos de Mueller, segundo informou hoje a emissora "CNN".

"A obstrução é algo criminal. Nunca foi parte da nossa investigação", disse à emissora o presidente desse comitê, o senador republicano Richard Burr.

Segundo o "Post", Mueller está coletando depoimentos de altos funcionários de inteligência para esclarecer se Trump incorreu nesse delito.

O atual Diretor Nacional de Inteligência, Daniel Coats; e o almirante Mike Rogers, chefe da Agência de Segurança Nacional (NSA), já aceitaram reunir-se com a equipe de investigadores do procurador especial, de acordo com o jornal.

A revelação acontece dias depois que circularam rumores de que Trump poderia ter planejado demitir Mueller, como fez com Comey, ainda que a Casa Branca sustente que não há nenhum plano de afastar o procurador especial.

EFE   

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