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Natal é fenômeno em ascensão na China, mas pouco ligado à religião

25 dez 2012 06h07
| atualizado às 06h23
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A comemoração do Natal na China é um reflexo da influência ocidental e consegue aumentar as compras e o consumo entre os cidadãos, mas, em poucos casos, a data pode ser vinculada diretamente com as crenças religiosas do povo chinês. O Natal não é feriado na China, mas é comemorado em algumas grandes cidades do país, como Pequim, Hong Kong, Xangai e Cantão, onde vive um grande número de imigrantes e é possível ver muitas ruas e shoppings com decoração de Natal, incluindo o tradicional Papai Noel.

Tudo parece indicar, no entanto, que o aumento do consumo não ocorrerá nos sites de comércio eletrônico, muito populares entre os chineses, devido à grande quantidade de promoções que já foram realizadas ao longo do ano, como a de 11 de novembro, quando se comemorou o "Dia dos Solteiros" com descontos de até 50%.

Nos últimos anos, especialmente entre os mais jovens, constata-se uma tendência crescente de comemorar o Natal, em muitos casos organizando jantares com amigos nos quais são trocados cartões e pequenos presentes. A rede de microblogs mais famosa da China, o Weibo, muito parecida com o Twitter e utilizada pelos jovens das cidades, acumula milhares de comentários de internautas de todo o país acompanhados de fotografias de árvores do Natal ou de presentes.

"Que ambiente! Este é a maior árvore da feira de Natal de Xangai. Canções natalinas, Papai Noel...Estou entusiasmada!", disse uma usuária na rede social. Além disso, o Weibo está sendo muito utilizado para se colocar anúncios e mensagens sobre o "que comprar", "como celebrar o Natal" ou "onde ir e ligar", nos quais são enumerados locais como parques, pistas de esqui, centros de águas termais e até as igrejas.

Uma jovem de Pequim, Lin Li, participará como voluntária da Missa do Galo, que será realizada na igreja de Xishiku, a maior de Pequim, onde se espera a presença de 10 mil fiéis. "Antes para mim não tinha muito sentido celebrar o Natal, mas este ano representa comemorar o nascimento de Jesus, um dia importante para pensar no que ele fez para a humanidade", declarou Lin, que foi batizada recentemente.

Embora as estatísticas mais recentes do Governo chinês indiquem que a comunidade cristã no país seja de 25 milhões de pessoas (18 milhões de protestantes e seis milhões de católicos), outras estimativas de organismos independentes a situam em 60 milhões.

Os católicos estão divididos entre os seguidores da igreja oficial (ou Patriótica, controlada pelo governo comunista), e da "clandestina", sob o controle de Roma e não aceita por Pequim.

Um dos pontos de embate é a nomeação dos bispos, pois o Vaticano considera que eles só podem ser designados pelo papa, enquanto a igreja Patriótica ordenou bispos sem autorização da Santa Sé.

Além das atividades dentro do país, para muitos cidadãos de classe média o Natal é uma oportunidade de viajar ao exterior, principalmente aos países ocidentais onde se oferecem grandes descontos nestas datas. Ou também para regiões do sudeste asiático, onde o clima é muito mais ameno do que na fria capital chinesa.

"Ocorreu um aumento dos pacotes de férias para Estados Unidos e Europa", confirmou à Agência Efe uma funcionária da China Travel Service, uma das maiores agências de viagens do país. No entanto, Hong Kong continua sendo o melhor destino nesta época do ano para quem está atrás de compras mais baratas.

Já Gao Ling, uma jovem de Pequim, prefere deixar o consumo de lado e viajará por duas semanas com seu namorado pela paradisíaca ilha de Koh Samui, na Tailândia.

"Prefiro desfrutar das praias e do sol para esquecer, embora seja por apenas alguns dias, do rigoroso inverno de Pequim", contou.

EFE   
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