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Após EUA, Rússia se retira de acordo de armas nucleares

Tratado bilateral INF tinha sido assinado em 1987

2 fev 2019
10h19
atualizado às 13h56
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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou hoje (2) que cancelará a participação do país no Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF, na sigla em inglês). A decisão vem após os Estados Unidos se retirarem do acordo.
    "Vamos fazer o seguinte. Nossa resposta será espelhada. Os parceiros norte-americanos anunciaram que suspendem sua participação do INF, nós também iremos suspender a nossa. Eles anunciaram que estão desenvolvendo investigações e pesquisas, e nós iremos fazer o mesmo", afirmou Putin, durante um encontro com seus ministros das Relações Exteriores e da Defesa, Serguei Lavrov e Serguei Shoigu.
    O presidente ressaltou que a Rússia começará a desenvolver novos mísseis de curto e médio alcance, mas que não pretende entrar em uma corrida armamentista. Putin também pediu que seu governo não tente mais conversar ou dialogar sobre o tratado. Ele sugeriu que os russos esperem "até que nossos parceiros estejam prontos para ter conosco um diálogo entre iguais e substancial sobre esse assunto importantíssimo".
    Ontem, o líder dos EUA, o republicano Donald Trump, confirmou a saída do país do tratado. O INF era um acordo internacional entre Estados Unidos e União Soviética assinado na cidade de Washington, em 8 de dezembro de 1987. Firmaram o tratado o então presidente norte-americano, Ronald Reagan, e secretário-geral soviético, Mikhail Gorbachev.
    O acordo previa a eliminação dos mísseis balísticos e de cruzeiro, nucleares ou convencionais, cujo alcance estivesse entre 500 e 5 500 km, além de permitir a qualquer das partes inspecionar as instalações militares da outra.
    Com a dissolução do acordo, a Europa e outras potências, como a China, demonstraram preocupação com uma possível tensão militar nos moldes da Guerra Fria. "A China incentiva os EUA e a Rússia a manterem o INF, advertindo que a retirada do governo Trump, anunciada ontem, poderia causar consequências negativas", emitiu uma nota o Ministério das Relações Exteriores de Pequim. "A China é contrária à retirada dos EUA e solicita que o país e a Rússia resolvam de maneira adequada suas diferenças através de um diálogo construtivo".

Após EUA, Rússia se retira de acordo de armas nucleares
Após EUA, Rússia se retira de acordo de armas nucleares
Foto: EPA / Ansa - Brasil
Ansa - Brasil   
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