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Após escândalos, Boris Johnson deve renunciar hoje

Novo premiê será indicado pelo Partido Conservador

7 jul 2022 - 07h40
(atualizado às 07h52)
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Após renúncias em massa em seu governo, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, deve abdicar da liderança do Partido Conservador nesta quinta-feira (7).

Boris Johnson é premiê do Reino Unido há cerca de três anos
Boris Johnson é premiê do Reino Unido há cerca de três anos
Foto: EPA / Ansa - Brasil

No entanto, segundo a imprensa britânica, Johnson ainda tentará se manter como premiê até o outono europeu, enquanto os "tories" definem seu novo líder.

Como o Partido Conservador detém a maioria na Câmara dos Comuns, caberia à legenda indicar um novo primeiro-ministro, sem a necessidade de eleições antecipadas.

Foi dessa forma que o próprio Johnson chegou ao poder, em julho de 2019, quando a então primeira-ministra Theresa May renunciou por conta da não aprovação de seu acordo para o Brexit pelo Parlamento.

O atual primeiro-ministro conseguiu sacramentar a saída da União Europeia, porém viu seu apoio popular derreter por causa do "Partygate", escândalo da participação de membros do governo britânico, incluindo o próprio Johnson, em confraternizações durante períodos de lockdown contra a pandemia de Covid-19.

Multado pela polícia de Londres por ter participado de uma dessas festas, o premiê sobreviveu a uma moção de desconfiança no Partido Conservador há pouco mais de um mês, porém saiu fragilizado da votação.

Sua situação se agravou após a revelação de que o premiê sabia de denúncias de má conduta sexual antes de nomear um de seus aliados mais próximos entre os "tories", o deputado Chris Pincher, para vice-líder da bancada conservadora na Câmara.

Acusado de apalpar dois homens em um clube de Londres, Pincher acabou renunciando ao cargo no fim de junho, em um caso que minou ainda mais a credibilidade de Johnson, uma vez que ele inicialmente negara ter conhecimento sobre as denúncias contra o aliado, mas depois admitiu que já tinha ouvido reclamações sobre a conduta sexual do deputado.

O episódio provocou uma onda de renúncias no governo britânico e cobranças públicas para o premiê abdicar. "Primeiro-ministro: isso não é sustentável e só vai piorar. Por você, pelo Partido Conservador e, mais importante, pelo país, você deve fazer a coisa certa e ir embora agora", declarou o novo chanceler do Tesouro do Reino Unido, Nadhim Zahawi, nomeado por Johnson há apenas dois dias.

Sucessão

O processo para escolher o próximo líder do Partido Conservador será iniciado assim que o premiê confirmar sua renúncia.

Para disputar a sucessão de Johnson, cada candidatura precisa assegurar o apoio de pelo menos oito deputados.

Na primeira votação, são eliminados os postulantes que receberem menos de 18 votos. Na segunda, a cláusula de barreira aumenta para 36 votos.

A partir daí, o candidato com menos votos é eliminado, até que reste apenas um.

Ansa - Brasil   
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