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Polícia mantém Correa refém, diz chefe de gabinete do Equador

30 set 2010
18h38
atualizado às 19h17

O chefe de gabinete do Equador, Vinicio Alvarado, disse nesta quinta-feira que os policiais em protesto mantém de alguma forma como refém o presidente Rafael Correa em um hospital da corporação. Desde as primeiras horas da manhã, Correa permanece no Hospital da Polícia, onde fazia alguns exames depois de incidentes com efetivos da polícia que protestam contra o governo por causa de medidas de austeridade.

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O presidente "tem mantido diálogo com as pessoas que, de alguma forma, o estão mantendo como refém... mas os acordos são de não negociar sob pressão", disse Alvarado a um veículo de comunicação público. Recentemente, Correa foi submetido a uma cirurgia na qual foi implantada uma prótese no joelho direito dele.

Alvarado acrescentou que outros funcionários do governo também foram agredidos e tiveram de pedir ajuda em casas próximas ao hospital. "Tivemos de sair disfarçados, escondidos", disse Alvarado. O hospital onde Correa está fica junto ao quartel que vem concentrando os protestos dos policiais.

A polícia, no entanto, nega que o mandatário seja refém. "Não, não está sequestrado", respondeu o comandante da polícia do Equador, general Freddy Martínez, ao ser consultado sobre o suposto sequestro. Antes de Alvarado, o vice-presidente Lenín Moreno tinha afirmado que Correa era vítima de uma tentativa de sequestro. "Um grupo de descontentes tentou sequestrar o presidente da República", disse Moreno a uma emissora equatoriana.

Protestos
Os distúrbios registrados no Equador têm origem na recusa dos militares em aceitar uma reforma legal proposta pelo presidente Rafael Correa para reduzir os custos do Estado. As medidas preveem a eliminação de benefícios econômicos das tropas. Além disso, o presidente também considera a dissolução do Congresso, o que lhe permitiria governar por decreto até as próximas eleições, depois que membros do próprio partido de Correa, de esquerda, bloquearam no legislativo projetos do governante.

Isso fez com que centenas de agentes das forças de segurança do país saíssem às ruas da capital Quito para protestar. O aeroporto internacional chegou a ser fechado. No principal regimento da cidade, Correa tentou abafar o levante. Houve confusão, e o presidente foi agredido e atingido com bombas de gás. Correa precisou ser levado a um hospital para ser atendido. De lá, disse que há uma tentativa de golpe de Estado. Foi declarado estado de exceção no Equador - com militares convocados para garantir a segurança nas ruas. Mesmo assim, milhares de pessoas saíram às ruas da cidade para apoiar o presidente equatoriano.

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