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Mercosul não será prioridade para governo, diz Paulo Guedes

Provável ministro disse em entrevista que o Brasil 'ficou prisioneiro de alianças ideológicas' e que país precisa negociar com o mundo

28 out 2018
23h09
atualizado às 23h24
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O economista Paulo Guedes, apontado como provável ministro da Fazenda do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), disse que o Mercosul não será prioridade no próximo governo. Em entrevista no hotel Windsor, na Barra da Tijuca, Guedes disse que o Brasil "ficou prisioneiro de alianças ideológicas" e que isso é ruim para a economia.

"Você só negocia com quem tiver inclinações bolivarianas. O Mercosul foi feito totalmente ideológico. É uma prisão cognitiva", disse.

Países do Mercosul
Países do Mercosul
Foto: Divulgação / Estadão Conteúdo

Ao ser questionado por uma repórter do jornal argentino Clarín se o Brasil continuaria no bloco, Guedes respondeu apenas que: "Nós não vamos quebrar nenhum relacionamento". "Se eu só vou comercializar com Venezuela, Bolívia e Argentina? Não. Nós vamos comercializar com o mundo, serão mais países. Nós faremos comércio. E se eu quiser comercializar com outros países?", respondeu.

O economista ainda justificou que o foco de seu programa econômico será o controle de gastos e não o Mercosul. "É isso que você queria ouvir? Mercosul não será prioridade. A gente não está preocupado em te agradar. Eu conheço esse estilo", disse Guedes, exaltado a repórter argentina.

Paulo Guedes também afirmou que o programa econômico tem vários blocos, não será apenas uma medida. "O programa econômico tem um diagnóstico claro. O Brasil teve 30 anos de expansão de gastos públicos, descontrolados", afirmou Guedes, ao chegar o hotel Windsor Barra, após deixar caminhando a casa de Bolsonaro, na zona oeste do Rio. "Primeiro grande item (dos gastos públicos) é a Previdência. Precisamos de uma reforma da Previdência", disse o economista.

Para atacar o segundo grande item dos gastos públicos, a despesa com juros, a estratégia é "acelerar as privatizações". Já para atacar o terceiro maior item dos gastos públicos, os gastos com a máquina pública, a estratégia é fazer uma reforma do Estado.

"Além disso vamos simplificar e reduzir impostos, vamos eliminar encargos e impostos trabalhistas sobre a folha de pagamentos, para gerar em dois três anos 10 milhões de empregos novos. Vamos regulamentar corretamente, fazer os marcos regulatórios para investimentos na área de infraestrutura", afirmou Guedes.

Questionado se é possível zerar o déficit fiscal em um ano, como já declarou, Guedes disse: "Vamos tentar (zerar o déficit fiscal). Claro que é factível". Segundo o economista, o programa econômico será anunciado em blocos temáticos. "Não tem uma medida, não tem congelamento de preços, congelamento de ativos", afirmou Guedes. "Vamos anunciar blocos de medidas. Tem uma abertura gradual da economia, tem um ataque do déficit fiscal", completou.

O assessor econômico defendeu ainda a alternância de poder no governo federal. "Somos uma democracia estabilizada. Estamos aperfeiçoando nossas instituições", disse Guedes

Estadão
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