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Medellín fecha museu dedicado a Pablo Escobar

Prefeito, que é contra os "narcotours", afirma que local funcionava sem documentos. Museu era administrado por irmão do narcotraficante

20 set 2018
19h51
atualizado às 19h58
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A prefeitura de Medellín, na Colômbia, fechou um museu dedicado a Pablo Escobar. Autoridades alegaram falta de documentos para interditar a casa. O local era administrado por Roberto Escobar, irmão do narcotraficante e antigo contador do Cartel de Medellín.

De acordo com o secretário de Segurança e Convivência da cidade, Andrés Tobón, o museu não tinha autorização para funcionar. Além da falta de documentos, Tobón disse que o fato de o local ser dedicado "a um dos bandidos mais tristes e que mais causou danos a Medellín" também contou para a decisão.

Turista tira foto no jet-ski de Pablo Escobar no museu dedicado ao narcotraficante em Medellín
Turista tira foto no jet-ski de Pablo Escobar no museu dedicado ao narcotraficante em Medellín
Foto: DW / Deutsche Welle

Fechado nesta quarta-feira (19), o museu exibia diversos objetos que pertenceram a Escobar, considerado o maior narcotraficante do mundo nas décadas de 1980 e 1990. Entre as peças havia mais de 90 fotografias.

Segundo o jornal colombiano El Tiempo, as visitas ao local eram conduzidas por um sósia de Escobar e, no final do tour, os turistas eram recebidos por Roberto Escobar. De acordo com a emissora de rádio Caracol, o acesso ao museu era permitido apenas a estrangeiros. Vizinhos da casa afirmaram ainda desconhecer a existência do museu.

O prefeito de Medellín, Federico Gutiérrez, já havia declarado em outras ocasiões ser contrário aos narcotours e defende que a história seja contada pelo lado das vítimas. Depois do fechamento do museu, ele negou que a decisão tenha relação com os planos da prefeitura para combater esse tipo de turismo.

Foto: Estudo prático

"Foi fechado temporariamente porque operava de maneira ilegal. A inspeção constatou ainda que estavam sendo feito obras, sem permissões necessárias, que violavam as normas urbanísticas", disse Gutiérrez, em entrevista ao El Tiempo.

Neste ano, Medellín já recebeu 470 mil turistas estrangeiros e espera fechar o ano com 800 mil, o que representaria um aumento de 10% frente a 2017. Muitos destes são atraídos pelos narcotours.

Há alguns meses, Gutiérrez anunciou que pretendia demolir um edifício na cidade que se transformou no símbolo do poder de Escobar. O narcotraficante viveu no local antes de entrar para clandestinidade. O prédio está abandonado há anos, porém, se tornou uma dor de cabeça para as autoridades desde que começou a atrair turistas.

"No local, queremos construir um parque em homenagens às vítimas do narcoterrorismo, em homenagens aos juízes, promotores, policiais, militares e civis que foram assassinados nessa época", afirmou Gutiérrez.

Na década de 1980 e início dos anos 1990, Escobar declarou guerra ao Estado colombiano, promovendo uma série de atentados à bomba e ataques contra aos juízes, promotores, policiais, jornalistas e funcionários do governo. O narcotraficante foi morto em 2 de dezembro de 1993 numa casa onde estava escondido em Medellín.

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