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América Latina

Massera, um dos principais responsáveis pela ditadura argentina

9 nov 2010 - 23h09
(atualizado em 9/11/2010 às 07h40)
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O ex-almirante Emilio Massera, falecido nesta segunda-feira em Buenos Aires aos 85 anos, entrará para a história argentina por ser um dos principais ideólogos da "guerra suja" que deixou 30 mil desaparecidos no país durante a última ditadura militar.

Conhecido como "Comandante Zero" ou "El Negro", Massera integrou, junto ao tenente-general Jorge Videla e ao brigadeiro Orlando Agosti, a Junta Militar que em 24 de março de 1976 derrubou o Governo de María Estela Martínez de Perón e governou a "mãos de ferro" durante sete anos.

Entre as tarefas que realizou no Governo se destaca a organização da maior prisão clandestina do país na Escola de Mecânica da Armada (Esma), por onde passaram cerca de cinco mil presos de forma ilegal, segundo os organismos de direitos humanos.

Nascido em 19 de outubro de 1925 na cidade de Paraná, a 600 quilômetros de Buenos Aires, em 1946 iniciou sua carreira na Marinha da Argentina.

Foi aluno da "Escola das Américas", instituto que os Estados Unidos instalaram em sua jurisdição do canal do Panamá para a instrução de militares latino-americanos.

Em 1974, Massera foi ascendido a almirante e, posteriormente, nomeado comandante-em-chefe da Marinha de Guerra, cargo que exerceu ao compartilhar o primeiro dos quatro Governos da ditadura.

Teve um papel preponderante na organização do Mundial de Futebol de 1978, um dos mais simbólicos exemplos de utilização política de um acontecimento esportivo, e no final desse ano se afastou do Governo para se dedicar à política.

Em 1983 apresentou sua candidatura à Presidência, mas em 21 de junho do mesmo ano foi preso por ordem do juiz Oscar Salvi por suposta participação no desaparecimento de um empresário, o que paralisou suas aspirações eleitorais.

Após o julgamento, foi condenado à prisão perpétua por três homicídios agravados por aleivosia, torturas, privações da liberdade ameaças e roubos.

Em 1990 se beneficiou, como os principais líderes da ditadura, do indulto concedido pelo então presidente, Carlos Menem, mas oito anos depois voltou a prisão por causas relacionadas ao sequestro e a troca de identidade de filhos de desaparecidas nascidos em cativeiro.

Massera fez parte de uma lista de 47 ex-militares e policiais, além de um civil argentino, cuja prisão foi pedida pelo juiz espanhol Baltasar Garzón à Justiça argentina sob a acusação de genocídio, terrorismo e torturas.

Também foi considerado um dos responsáveis pela Operação Condor, como foi denominada a coordenação repressiva dos regimes militares do cone sul americano nas décadas de 1970 e 1980.

Em 2002 foi internado no Hospital Militar de Buenos Aires por um acidente vascular cerebral, cujas sequelas permitiram que, em 2005, fosse declarado incapaz por demência, tendo as causas que o acusavam suspensas.

Reclamado por Espanha, Alemanha, Suíça e Itália, entre outros, em setembro de 2009, um tribunal de Roma começou um julgamento à revelia pelo desaparecimento de três cidadãos italianos durante a ditadura, depois que peritos do país consideraram que Massera estava em "plenas faculdades mentais" para enfrentar o processo.

EFE   
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