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Caravana de migrantes: menino de 8 anos morre no Natal sob custódia dos EUA por cruzar a fronteira

Esta é a segunda criança migrante que morre sob custódia do governo americano apenas em dezembro.

25 dez 2018
19h00
atualizado às 19h32
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Um menino de 8 anos da Guatemala morreu nesta terça-feira sob custódia do governo dos Estados Unidos, segundo órgãos oficiais de imigração.

O menino morreu pouco depois da meia-noite do dia de Natal, segundo a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA.

Em um comunicado, a agência disse que o menino de oito anos demostrou "sinais de doença em potencial" já na segunda-feira.

Esta é a segunda vez que uma criança migrante sob custódia do governo americano morre neste mês
Esta é a segunda vez que uma criança migrante sob custódia do governo americano morre neste mês
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

É a segunda vez neste mês que uma criança imigrante morre ao ser detida depois de cruzar a fronteira dos Estados Unidos com o México. Na ocasião anterior, uma menina de 7 anos, também da Guatemala, morreu horas depois de ser levada sob custódia.

No caso da menina, autoridades americanas disseram que ela tentou cruzar a fronteira do México com os EUA ilegalmente com sua família.

A menina guatemalteca, que as autoridades de chamaram de Jackeline Caal, morreu de desidratação e choque séptico, informou o jornal Washington Post. Funcionários que trabalham na fronteira teriam dito que ela ficou sem comida e água por vários dias.

Milhares de migrantes viajaram da América Central para a fronteira dos Estados Unidos. Eles dizem que estão fugindo da perseguição, da pobreza e da violência em seus países de origem, como Guatemala, Honduras e El Salvador.

Muitos deles dizem que seu objetivo é se instalar nos Estados Unidos, apesar das autoridades americanas afirmarem que qualquer um que entrasse no país ilegalmente seria preso, processado e deportado.

O que aconteceu neste último caso?

A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA informou que o garoto e seu pai foram levados para um hospital em Alamogordo, no Novo México, onde o menino foi diagnosticado com resfriado e febre, recebeu prescrições de amoxicilina e ibuprofeno e foi liberado na segunda-feira à tarde.

Ele retornou ao hospital na noite do mesmo dia depois de começar a vomitar e morreu poucas horas depois, acrescentou o comunicado do hospital.

A agência disse que a causa da morte não foi determinada e que o inspetor-geral do Departamento de Segurança Interna e o governo da Guatemala foram notificados.

Por que há tensão na fronteira?

A situação na fronteira é tensa e tumultuada desde a chegada de milhares de migrantes nas últimas semanas.

Donald Trump diz que migrantes terão de ficar no lado mexicano da fronteira até que seus casos sejam julgados
Donald Trump diz que migrantes terão de ficar no lado mexicano da fronteira até que seus casos sejam julgados
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

No mês passado, agentes americanos que atuam na fronteira usaram gás lacrimogêneo contra uma multidão de imigrantes, incluindo crianças, que tentavam entrar no país.

Os agentes disseram que tinham sido atingidos por pedras atiradas pelos migrantes.

No entanto, os críticos acusaram a administração Trump de dar uma resposta draconiana, enquanto o México exigiu uma investigação sobre o incidente.

Os migrantes viajaram em grandes grupos, apelidados de "caravanas", por mais de 4 mil km da América Central. As caravanas de migrantes se tornaram um fenômeno recorrente nos últimos anos. Mas, desta vez, várias marchas se juntaram, e o movimento tomou grandes proporções. Entre eles, há muitas famílias com crianças pequenas.

O presidente Donald Trump prometeu manter cada migrante no lado mexicano da fronteira até que os tribunais decididam seus casos, o que significa que eles devem enfrentar uma longa espera. O governo determinou que não vai aceitar pedidos de asilo de migrantes que atravessem ilegalmente a fronteira, nem mesmo por razões humanitárias.

Eles têm passado seu tempo em abrigos temporários na cidade de Tijuana, na fronteira mexicana, e em Mexicali, a 180 km a leste.

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