2 eventos ao vivo

América Latina chega ao G20 em crise

Com presidentes em fim de mandato, região será coadjuvante

30 nov 2018
16h42
atualizado às 16h56
  • separator
  • comentários

Por Marcelo Izquierdo - A América Latina enfrenta nesta sexta-feira (30) a 10ª Cúpula do G20 com dois presidentes em retirada e outro, o anfitrião Mauricio Macri, colocado em xeque por uma severa crise interna, além de precisar mais do que nunca, que Donald Trump garanta seu severo plano de ajuste econômico.

Foto oficial do G20.
Foto oficial do G20.
Foto: EPA / Ansa - Brasil

Argentina, Brasil e México são os únicos países da região neste exclusivo clube dos mais poderosos do planeta, ainda que o peso das nações no grupo nesta reunião seja inócuo. O Chile, com Sebastián Piñera, comparece à reunião na capital argentina como país convidado.

Dos quatro presidentes da região, Macri é o que tem papel de maior destaque pela condição de anfitrião, mas foi sua reunião com Trump, ocorrida nesta manhã na Casa Rosada, sede do governo, que atraiu todos os olhares.

O presidente argentino agradeceu a Trump pelo apoio "em tempos difíceis" pelos quais atravessa a Argentina, lembrando especialmente o vital apoio da Casa Branca no acordo pelo empréstimo de mais de US$ 56 bilhões de dólares obtido junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

"Agradecemos o apoio dos Estados Unidos, sobretudo no último ano, quando passamos por momentos difíceis. Com o apoio de vocês e do acordo que firmamos com o FMI, começamos a construir novamente o caminho para um futuro melhor", disse.

Macri precisava do apoio de seu "amigo" Trump como água no deserto. Os dois se conhecem desde eram jovens empresários nos anos 1980 e o destino os uniu em um frustrado negócio imobiliário em Nova York. Trump lembrou dos velhos tempos de amizade e afirmou que os dois teriam "muito o que falar".

"O sucesso econômico e político da Argentina é o sucesso da região. Essa é nossa prioridade", disse um funcionário da Casa Branca à imprensa norte-americana, antes da viagem de Trump a Buenos Aires.

Em meio à duríssima crise econômica que atinge a Argentina, o presidente norte-americano deu um apoio crucial a Macri nas suas negociações com o FMI e seu severo plano de ajuste, que foi o estopim para greves e protestos sociais e sindicais na Argentina.

Trump trouxe na bagagem a Buenos Aires acordos para fortalecer os laços comerciais e favorecer a chegada de investimentos norte-americanos à Argentina, uma promessa de campanha de Macri que jamais foi cumprida, pelo menos até agora.

Tais acordos, segundo Buenos Aires, totalizam US$ 813 milhões e estima-se que movimentarão outros US$ 3 bilhões em setores como infraestrutura, energias renováveis e logística.

Não por acaso, Trump e Macri falam por telefone "mais frequentemente do que se informa pelos canais oficiais, segundo o jornal argentino "La Nación". Macri, no entanto, não está sozinho entre os presidentes latino-americanos no G20. Além do convidado especial Piñera, próximo ideologicamente ao anfitrião, chegaram os presidentes do Brasil, Michel Temer, e do México, Enrique Peña Nieto, ambos em final de mandato.

O líder mexicano permanecerá apenas algumas horas em Buenos Aires, já que voltará a seu país para participar da cerimônia de posse de seu sucesso, Andrés López Obrador, neste sábado (1º).Peña Nieto levará na bagagem a assinatura do Acordo de Livre Comércio entre Estados Unidos, México e Canadá após um árduo e extenso processo de negociações com a Casa Branca que várias vezes esteve a ponto de naufragar por ameaças de Trump. Ao menos, Peña Nieto deixará o poder com um acordo vital em uma área que projetava fortes nebulosidades à economia mexicana.

Pelo lado do Brasil, Michel Temer passa virtualmente desapercebido na cúpula, já que prepara a transição à nova era de Jair Bolsonaro no poder. O controverso militar da reserva se encaminha para ser um forte aliado de Trump na região, inclusive muito mais próximo que Macri, por suas afinidades ideológicas e seu diálogo com a Casa Branca desde eu venceu as eleições em seus país.

O presidente francês, Emmanuel Macron, um dos primeiros a chegar a Buenos Aires, foi claro durante uma reunião com Macri: o acordo entre a União Europeia e o Mercosul dependerá muito do que fizer Bolsonaro.

Macron já havia dito, em sua entrevista coletiva, que não quer assinar um tratado comercial com um país que não respeita Acordo de Paris sobre a mudança climática. A quem se referia? A Bolsonaro, que compartilha a forte posição de Trump de negar as contínuas e graves advertências sobre os efeitos devastadores do aquecimento global.

Ansa - Brasil   

compartilhe

comente

  • comentários
publicidade