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A extrema direita pode chegar ao poder na União Europeia?

Projeções dizem que europeístas perderão força, mas não maioria

22 mai 2019
14h41
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As eleições europeias de 2019 vêm ganhando atenção especial da imprensa por causa da perspectiva de um crescimento inédito da extrema direita eurocética, mas até onde os autoproclamados "soberanistas" podem chegar?

Matteo Salvini e Marine Le Pen participam de comício em Milão
Matteo Salvini e Marine Le Pen participam de comício em Milão
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

As pesquisas para o pleito que renovará o Parlamento Europeu são unânimes em mostrar que a direita ultranacionalista conquistará sua maior bancada na história do bloco. Por outro lado, como as eleições acontecem em 28 Estados-membros com realidades e anseios diferentes, é difícil projetar se isso será suficiente para alterar de alguma forma os rumos da política europeia.

As bancadas no Parlamento da UE são formadas por grupos supranacionais, constituídos, por sua vez, por partidos que existem apenas dentro das fronteiras de cada Estado-membro.

O Partido Popular Europeu (PPE), por exemplo, que hoje detém a maior bancada, abriga sob o mesmo guarda-chuva desde a conservadora União Democrata-Cristã (CDU), da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, até o ultranacionalista Fidesz, do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, passando pelo Força Itália (FI), de Silvio Berlusconi.

Outra unanimidade das projeções eleitorais é que o PPE deve manter a maior bancada no Parlamento Europeu, porém com uma queda considerável em relação a seus atuais 217 eurodeputados - o site Politico prevê 169 cadeiras para os conservadores; o jornal Financial Times, 171.

Mudança

A grande novidade das eleições deve estar na briga pela segunda posição. Historicamente, a UE é governada por uma coalizão entre o PPE, de centro-direita, o grupo Socialistas e Democratas (S&D), de centro-esquerda, e a Aliança dos Liberais e Democratas pela Europa (Alde), de centro.

Essas três forças detêm a maioria no Legislativo e dividem os cargos de poder do bloco, com predomínio dos conservadores, que chefiam a Comissão Europeia (Jean-Claude Juncker), o Conselho Europeu (Donald Tusk) e o Parlamento Europeu (Antonio Tajani).

A diplomacia europeia, por outro lado, está nas mãos de Federica Mogherini (S&D), enquanto as influentes comissárias para Comércio, Cecilia Malmstrom, e Concorrência, Margrethe Vestager, pertencem à Alde.

É aí que reside o grande objetivo da extrema direita eurocética: conquistar a segunda maior bancada e acabar com a maioria em poder de PPE, S&D e Alde. Com isso, os "soberanistas" esperam ser chamados à mesa de negociações com os conservadores e ocupar cargos de destaque em Bruxelas.

"Faço parte de um bloco forte como nunca, não de direita, mas alternativo aos burocratas, e espero que ele possa dialogar com os conservadores para deixar a esquerda de fora", disse o ministro do Interior e vice-premier da Itália, Matteo Salvini, durante uma visita recente à Hungria.

As projeções mostram que tal meta não é fácil de se alcançar. Segundo o Politico, PPE (169), S&D (146) e Alde (106) devem conquistar 421 assentos, número mais que suficiente para continuar governando a UE. Já o Financial Times fala em 419 cadeiras: 171 para o PPE, 151 para o S&D e 97 para a Alde.

Esses números já incluem os possíveis resultados do República em Marcha, partido do presidente da França, Emmanuel Macron, que ainda não pertence a nenhum grupo, mas deve aderir à Alde. Ambas as projeções apontam uma queda significativa em relação aos atuais 472 eurodeputados dos três grupos, mas as grandes forças europeístas do bloco continuariam compartilhando o poder.

Extrema direita

Atualmente, os partidos eurocéticos estão divididos em dois grupos. O maior é a Aliança Europeia dos Povos e das Nações de Salvini, antigo Europa das Nações e da Liberdade, que reúne as principais legendas de extrema direita do bloco, da italiana Liga ao francês Reunião Nacional, de Marine Le Pen.

O outro é o Reformistas e Conservadores Europeus (ECR), que engloba o espanhol Vox, o polonês Lei e Justiça (PiS), o Partido do Povo da Dinamarca, entre outros. Representantes de algumas legendas integrantes do ECR participaram de um comício liderado por Salvini em Milão e confirmaram a intenção de formar uma única coligação eurocética, a Aliança dos Povos e das Nações.

Pelas projeções de Politico e Financial Times, a aliança de Salvini (74 e 55) e o ECR (59 e 57), juntos, somarão, respectivamente, 130 e 112 assentos, números que, no primeiro caso, os colocariam na briga com os sociais-democratas. Essa combinação não inclui a provável votação expressiva do partido Brexit, do Reino Unido, mas o país, ao menos em teoria, não ficará na UE até o fim da próxima legislatura.

Por outro lado, não é certo que todos os partidos dos dois grupos se unam em uma grande coalizão de extrema direita. O ultranacionalismo polonês e dos países da antiga Cortina de Ferro, por exemplo, veem com desconfiança a proximidade de Salvini e Le Pen com a Rússia.

Além disso, a extrema direita dos países mais ricos, como Alemanha, Áustria e os escandinavos, questionam os problemas orçamentários do governo da Itália, que, com apoio da Liga, aumentou o déficit e a dívida pública (a segunda maior do bloco) para financiar uma expansão de despesas.

Ansa - Brasil   
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