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MDB se reúne para aprovar nome de Simone Tebet; veja cronologia da pré-candidatura

Outro partido integrante da terceira via, Cidadania também referenda a senadora; encontro do PSDB é adiado para o dia 2

24 mai 2022 16h08
| atualizado em 25/5/2022 às 09h26
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A executiva nacional do MDB se reúne nesta terça-feira, 24, para confirmar o nome da senadora Simone Tebet (MDB-MS) como pré-candidata à Presidência da República. O mesmo movimento é feito em paralelo pelo Cidadania que, segundo afirmou o presidente da sigla, Roberto Freire, ao Estadão, vai aprovar o nome da parlamentar. O único partido da chamada terceira via que não dará a resposta hoje é o PSDB, que adiou a decisão para o dia 2.

Nesta segunda-feira, 23, a desistência do ex-governador de São Paulo João Doria (PSDB) da disputa pela Presidência abriu o caminho para que Simone Tebet seja a escolhida do grupo. Para especialistas ouvidos pelo Estadão, a saída do tucano tem efeito "simbólico" para terceira via, ao reforçar a disposição dos partidos na busca por uma alternativa eleitoral no centro político.

A desistência do ex-governador de São Paulo João Doria (PSDB) da disputa pela Presidência abriu o caminho para que Simone Tebet seja a escolhida do grupo da terceira via. Foto: Rogerio Florentino

Veja os passos da terceira via até o nome de Simone Tebet

Início de abril de 2022: União da terceira via

Quatro partidos decidiram selar um acordo para lançar um candidato único para o Planalto: MDB, União Brasil, Cidadania e PSDB. Na ocasião, Simone Tebet (MDB), João Doria (PSDB), Eduardo Leite (PSDB) e Sérgio Moro (União Brasil) apareciam como pré-candidatos. Apesar de o ex-juiz ter o nome rechaçado pelo partido para o cargo, ainda mantinha publicamente interesse na disputa.

O nome de Simone Tebet aparecia como o mais cotado para encabeçar a chapa, por ser visto como o mais "estável" entre os postulantes.

Meados de abril de 2022: MDB dividido entre Lula e Tebet

A pré-candidatura de Simone Tebet e a viabilização do nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a corrida presidencial de 2022 evidenciaram duas correntes antigas do MDB. Uma delas, mais próxima do ex-presidente, é encabeçada pelo senador Renan Calheiros (AL), que, hoje, defende abertamente que a legenda apoie o petista já no primeiro turno. Outra, liderada pelo ex-presidente Michel Temer, sustenta o nome da parlamentar como o rosto da sigla nestas eleições.

O racha ficou mais evidente no dia 11 de abril, quando Lula jantou com senadores do partido na mansão do ex-presidente do Senado Eunício Oliveira, em Brasília. Na ocasião, caciques do MDB pediram para que Lula abandonasse o discurso para agradar à extrema esquerda e concentrasse a campanha em combater as fragilidades do governo Bolsonaro: o "bolso, bucho e democracia". No caso, a tradução seria: focar na economia, inflação e ataques ao regime democrático.

Do outro lado do partido, na mesma data, Simone Tebet se reunia com Temer e com o presidente da sigla, Baleia Rossi, para fortalecer sua pré-campanha.

Meados de abril de 2022: Campanha de Simone ganha musculatura

Na corrida para ser o nome escolhido pela terceira via, Tebet fortaleceu a sua campanha. A senadora recebeu apoio de representantes de ao menos dez diretórios estaduais do MDB.

Dentro do PSDB, o nome da senadora ganhou força por ser visto como "estável", em comparação com o ex-governador paulista, João Doria.

Início de maio de 2022: Levantamento do MDB e apoio à reeleição de Bolsonaro

Levantamento da direção da sigla apontou que, na ausência de nome próprio na disputa ao Planalto, o grupo pró-presidente teria cerca de 70% dos votos da convenção nacional. O resultado mostrou que, embora o ex-presidente Lula mantenha forte interlocução com caciques do MDB no Nordeste, o bolsonarismo é mais forte na correlação de forças interna. A pesquisa interna teve como base nos delegados eleitos pelos diretórios estaduais, nas bancadas e nos prefeitos do partido.

Início de maio de 2022: "primeira baixa" da terceira via e consolidação do nome de Tebet pelo MDB

Após o governo federal ameaçar tirar cargos do União Brasil, o partido decidiu abandonar o grupo que se reunia em torno do acordo pela terceira via. O União já tinha lançado o nome do presidente da sigla, Luciano Bivar, para concorrer com Doria e Tebet, mas acabou cedendo à pressão da ala governista.

A decisão se tornou mais um fator que minou a união da terceira via nas eleições, deixando apenas PSDB e MDB com nomes possíveis para encabeçar a chapa.

Um dia após a saída do União Brasil do grupo, a executiva nacional do MDB consolidou a pré-candidatura de Simone após receber os resultados de uma pesquisa qualitativa sobre o potencial de votos da senadora entre os eleitores fora da polarização entre o ex-presidente Lula e o presidente Bolsonaro.

Meados de maio de 2022: Pesquisas internas

Em uma última tentativa de unificar o MDB e o PSDB no mesmo palanque presidencial, os dirigentes das duas siglas definiram pesquisas quantitativa e qualitativa para testar os nomes dos respectivos pré-candidatos: Simone Tebet e João Doria. A coleta dos dados foi agendada para os dias 14 e 15 de maio.

Contrário à pesquisa, Doria divulgou uma carta em que se queixava da decisão tomada pelas cúpulas dos dois partidos. A aliados, o presidente da legenda, Bruno Araújo, disse que a carta do paulista em que acusava a sigla de "golpe" e "tapetão" seria um sinal de "quase rompimento" com o PSDB.

Meados de maio de 2022: Tebet é escolhida pelos dirigentes dos 3 partidos

Os presidentes de PSDB, MDB e Cidadania decidiram indicar a senadora como candidata única da terceira via à Presidência. A decisão foi tomada após pesquisas encomendadas pelas legendas mostrarem que a rejeição a Doria é muito alta e Simone teria maior potencial de crescimento, mas precisa ainda se tornar mais conhecida.

Um dia após a escolha, a senadora divulgou um vídeo em que se apresenta para o eleitor. Segundo a assessoria da parlamentar, a data da divulgação foi uma "coincidência".

Fim de Maio de 2022: Doria deixa a disputa

Vencedor das prévias tucanas para disputar o Palácio do Planalto, Doria se rendeu à pressão de caciques do partido e desistiu da corrida presidencial no dia 23 de maio. "Com o coração ferido e a alma leve", ele admitiu que não é "a escolha da cúpula do PSDB". A decisão fortalece o nome de Tebet como a pré-candidata da terceira via.

Em nota, a parlamentar afirmou que Doria "sempre foi aliado" e disse ter "pressa" para unir o País. Em nova entrevista, reforçou: "Só tenho a agradecer pela grandeza e a generosidade de Doria".

Estadão
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