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Manifestantes ateiam fogo a delegacia em protestos nos EUA

Ato aconteceu após um homem negro ser morto numa ação policial em Minneapolis. Trump chama manifestantes de bandidos.

29 mai 2020
07h40
atualizado às 10h08
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Pela terceira noite consecutiva, os Estados Unidos registraram violentos protestos devido à morte de um homem negro durante uma ação policial em Minneapolis, no estado de Minnesota. Os manifestantes pedem o fim da violência policial contra negros e exigem a prisão do agente que asfixiou com o joelho George Floyd, de 46 anos, na segunda-feira.

Os atos, que começaram na terça-feira em Minneapolis, se espalharam pelos Estados Unidos e nesta quinta-feira ocorreram em cidades como Denver, Phoenix, Columbus e Nova York, onde ao menos 40 pessoas foram presas em Manhattan.

Os protestos mais violentos ocorrem em Minneapolis e na vizinha St. Paul, a capital do estado. Após duas noites de atos e prevendo mais uma onda de violência, na tarde de quinta-feira, o governador de Minnesota, Tim Walz, acionou a guarda nacional pela primeira vez em 34 anos. Mesmo com o contingente, porém, as duas cidades registraram dezenas de saques e incêndios. Em St. Paul ao menos 170 prédios foram danificados ou saqueados, afirmou a polícia.

Em Minneapolis, manifestantes quebraram janelas, invadiram e tocaram fogo numa delegacia, obrigando os policiais a se retirarem do local. O temor era de uma explosão, já que material inflamável é armazenado no local. Várias lojas foram incendiadas, mas os bombeiros não puderam atender as ocorrências por questões de segurança, segundo a polícia.

O tumulto ganhou proporções ainda maiores quando veio a público que o promotor Mike Freeman não tinha a intenção, no momento, de prender o agente responsável pela morte de Floyd, Derek Chauvin. "Há outras evidências que não apoiam uma acusação criminal. Precisamos pesar todas essas evidências para chegar a uma decisão consistente e estamos fazendo o melhor que podemos", disse Freeman.

Floyd morreu depois de ser detido por suspeita de ter tentado pagar uma compra com uma nota falsa de 20 dólares em um supermercado. Imagens de celular gravadas por uma testemunha mostram Floyd deitado ao lado da roda traseira de um veículo, com um oficial branco prendendo-o ao asfalto e pressionando o pescoço do detido com o joelho. A vítima pode ser ouvida gemendo repetidamente e ofegando enquanto implora: "Por favor, eu não posso respirar, por favor, cara".

Depois de vários minutos, Floyd gradualmente vai ficando quieto e deixa de se mexer. O policial não tira seu joelho do pescoço de Floyd até ele ser colocado numa maca por paramédicos. Uma ambulância levou Floyd a um hospital, onde ele morreu pouco tempo depois.

A polícia alegou que o homem resistiu à prisão, mas imagens, captadas pelas câmeras de um restaurante em frente ao local onde ocorreu a detenção, mostraram Floyd sendo conduzido à viatura policial, de mãos algemadas e sem oferecer resistência.

A chefe da polícia de Minneapolis, Medaria Arradondo, disse que o departamento vai conduzir uma investigação interna e afastou os quatro agentes envolvidos no caso. O FBI está conduzindo uma investigação federal.

Trump chama manifestantes de "bandidos"

Na madrugada desta sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou o Twitter para chamar de bandidos os envolvidos nos atos violentos de Minneapolis, ameaçando que "quando os saques começarem, os tiros vão começar". A mensagem foi marcada pelo Twitter como violenta e ocultada - é preciso apertar em "ver mais" para lê-la. "Este tweet violou as regras do Twitter sobre apologia à violência. No entanto, o Twitter determinou que pode ser de interesse público que esse tweet continue acessível", diz o texto da rede social.

Trump também declarou apoio a Walz e atacou o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, do partido democrata, que acusou de falta de liderança. "Ou o prefeito da esquerda radical Jacob Frey começa a agir e coloca a cidade sob controle ou enviarei a guarda nacional e faremos o trabalho", ameaçou.

Frey já se pronunciou várias vezes pedindo que a população proteste sem violência e se manifestou a favor da prisão do agente que asfixou Floyd.

Na quarta-feira, pela primeira vez, o Twitter incluiu um aviso para verificação de fatos em dois posts de Trump no qual ele chama a eleição presidencial de "fraudulenta" por causa de votos por correspondência. Irritado, Trump, assinou nesta quinta-feira uma ordem executiva para tentar remover das empresas de mídia social, como Twitter e Facebook, a imunidade legal referente aos conteúdos postados em suas plataformas, em uma ação que muitos juristas avaliam como legalmente questionável.

Delegacia foi incendiada em Minneapolis
Delegacia foi incendiada em Minneapolis
Foto: DW / Deutsche Welle

 

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