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Lula criticará protecionismo com Obama no sábado

13 mar 2009
17h47

Antes de embarcar nesta sexta-feira para Washington, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que sua maior preocupação na conversa que terá com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, é a volta do crédito internacional. Ele também indicou que fará críticas ao protecionismo, que viu em medidas recentes do novo governo norte-americano.

"O que eu quero conversar com o presidente Obama, de forma muito franca, é como fazer para restabelecer o crédito internacional", disse Lula após participar de cerimônia no Palácio do Planalto.

O presidente afirmou que o debate sobre a crise será o foco do encontro marcado para este sábado na Casa Branca e que terá duração de uma hora. A oferta de financiamento a empresas secou com o recrudescimento da crise financeira há seis meses.

"Não é o crédito de Estado para Estado, é o crédito para quem quer tomar dinheiro emprestado. É restabelecer a credibilidade da sociedade", acrescentou Lula, que deixou Brasília às 13h30.

Quanto às medidas protecionistas, afirmou que os países ricos insistiram nos últimos anos na pregação do livre comércio. "Agora, no primeiro calo que começa a doer, eles acham que tem que voltar o protecionismo. O Brasil é contra o protecionismo."

"Nós precisamos deixar claro que o protecionismo pode ajudar momentaneamente, mas no médio prazo o protecionismo será um desastre para a economia mundial. Isso eu quero deixar claro para todo mundo", criticou.

Recomendou mais uma vez que os países desenvolvidos ampliem a regulação dos bancos e que tornem essas instituições mais próximas do setor produtivo.

Citando que a crise teve origem nos Estados Unidos, onde o sistema financeiro promoveu "o maior desastre das finanças que já vimos", Lula disse torcer para que os EUA voltem à normalidade.

Ele evitou dar detalhes da conversa que terá com Obama. "Algumas coisas eu tenho que conversar pessoalmente."

Lula afirmou também que está otimista com a reunião do G20 (grupo dos países ricos e emergentes), marcada para 2 de abril em Londres, quando poderá conversar sobre as soluções para a crise com líderes da China, Japão e Índia, citou.

"Ou nós assumimos a responsabilidade pela crise e damos uma saída para ela ou ficamos esperando, como o Japão esperou na década de 1990 e demorou dez anos para sair da crise. Esta crise tem que terminar este ano, nós não podemos esperar dez anos", afirmou Lula.

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