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Lula confirma apoio a Boulos para prefeitura de SP em 2024

Líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) desistiu da disputa pelo governo de São Paulo, em movimento que pode beneficiar Haddad

25 mar 2022 - 13h24
(atualizado às 19h59)
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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou nesta sexta-feira, 25, que irá apoiar a candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) à Prefeitura de São Paulo em 2024. O anúncio acontece após Boulos desistir de concorrer ao governo estadual para abrir caminho para a candidatura de Fernando Haddad (PT) ao Palácio dos Bandeirantes.

"Nós temos que ter a consciência de que a gente tem que fazer a presidência da República, o governo de São Paulo e, em 2024, vamos fazer Boulos prefeito de São Paulo", disse Lula, em discurso em Santo André.

Lula, Boulos e Haddad subiram em palanque diante de cerca de 400 pessoas para selar a composição entre o líder do MTST e o PT. Também no palco, Boulos apoiou a candidatura de Haddad. O apoio, no entanto, ainda será discutido dentro do PSOL.

"A política se faz com gestos. Nós temos um gesto importante no início dessa semana para fortalecer a unidade da esquerda, dos progressistas, em São Paulo e no Brasil. Eu quero agradecer o gesto do Haddad e do Lula de estarem aqui hoje prestigiando a luta do MTST", disse Boulos.

O encontro aconteceu no condomínio Novo Pinheirinho, onde vivem famílias ligadas ao MTST. A obra foi financiada pelo programa Minha Casa Minha Vida, programa habitacional lançado no governo Lula.

A costura do apoio de Boulos ao PT passa não só pela disputa estadual, mas também pela disputa nacional, para a qual Lula conta com a criação de uma frente de apoio que inclua o PSOL, a despeito da resistência de uma ala do partido crítica à união do ex-presidente com o ex-governador Geraldo Alckmin.

Em seu discurso, Lula voltou a sugerir que mudará a política de preços da Petrobras se eleito presidente, para "abrasileirar" os preços dos combustíveis - em uma crítica à paridade internacional. Ele também voltou a se posicionar contra privatizações da Petrobras, Eletrobras, Banco do Brasil, Correios e Caixa Econômica Federal.

O ex-presidente também comentou a multa imposta pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao ex-procurador Deltan Dallagnol, da Lava Jato. A justiça determinou que Dallagnol indenize Lula em R$ 75 mil por danos morais em razão da apresentação de PowerPoint no qual Lula era acusado de liderar uma organização criminosa. Deltan afirmou que recebeu mais de R$ 300 mil em doações via Pix para pagar a multa. Lula sugeriu, então, que pode recorrer para pedir um valor superior. "Talvez agora a gente entre com recurso para cobrar mais, porque se ele pode arrecadar pode pagar mais", disse o ex-presidente.

Chapa Lula-Alckmin: 'Cisco na garganta'

Com a filiação de Alckmin ao PSB nesta semana, cresce a expectativa para que Lula anuncie a chapa com o ex-tucano como vice nas próximas semanas. Para a plateia majoritariamente formada por integrantes do MTST, no entanto, a aliança com o ex-governador gera incômodo. "Como Alckmin resolveu mudar de sigla, acho que o MTST vai acolher igual o PT está acolhendo: com um pouco de cisco na garganta, mas é a política, né?", afirma João Barbosa da Silva, porteiro em Santo André e filiado ao PT, presente no ato com Lula e Boulos.

"Infelizmente esse pessoal (tucanos) não sai da política, né? Mas Lula teve que fazer uma parceria", diz Maria Aparecida Magalhães, podóloga e integrante da ocupação Capadócia do MTST, na zona sul de São Paulo. Ela associa Alckmin a atos de violência policial na periferia. A parceria entre Lula e o tucano causa desgosto, mas não o suficiente para Aparecida mudar seu voto em outubro. "O pessoal aqui pensa 'se Lula o colocou, então é porque está tentando chegar na Presidência, então vamos seguir com ele'", afirma.

O pragmatismo sobre a parceria com Alckmin é repetida por outros moradores do local que pretendem votar em Lula em outubro. "Sou nordestino, voto no PT, mas meu apoio atualmente não é ao PT, é ao Lula. Hoje estamos passando fome - não eu, graças a deus, mas vejo muitos amigos meus que não têm do que se alimentar", diz Antonio Donizete da Silva, mestre de obras. "O Alckmin é um cara forte. Ele viu o que está acontecendo, não é à toa que ele está deixando (o PSDB) depois de 30 anos, e está apoiando Lula", afirma Donizete, morador do condomínio Novo Pinheirinho.

O nome do condomínio visitado por Lula foi escolhido em homenagem ao assentamento Pinheirinho, em São José dos Campos, em 2012. Na época, milhares de famílias que viviam em um terreno ocupado pelo MTST foram despejadas à força pela Polícia Militar e o caso ganhou repercussão nacional. Alckmin era o governador de São Paulo.

Boulos, que nesta sexta-feira discursou ao lado de Lula, criticou em janeiro deste ano o ex-governador de São Paulo pela reintegração de posse da ocupação em São José dos Campos. No palco de Santo André, que selou a união e apoio do psolista a Haddad e Lula, o nome do tucano não foi mencionado.

Estadão
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