Kalil: 'A situação está grave. Em que planeta estão os negacionistas?'

Prefeito de Belo Horizonte critica os que desacreditam da pandemia, mas admite que errou ao indicar que poderia não cumprir a decisão do STF sobre liberação de cultos, ainda que tenha discordado dela

7 abr 2021
15h24 atualizado em 8/4/2021 às 17h32
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15h24 atualizado em 8/4/2021 às 17h32
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Considerado um dos políticos mais rígidos na adoção de normas de enfrentamento ao novo coronavírus, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), disse nesta quarta-feira, 7, que "errou" ao indicar que poderia não cumprir a decisão do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, de liberar cultos religiosos. "Por pior que sejam as decisões elas devem ser cumpridas." Mas que está pronto a voltar a proibir caso assim decida o plenário do STF.

No sábado, 3, o ministro decidiu monocraticamente pelo funcionamento de igrejas com a presença de fiéis, provocando uma reação imediata de Kalil. Nas redes sociais, o prefeito afirmou que, em Belo Horizonte, o que valeria para o domingo de Páscoa era o seu decreto, ou seja, o veto às reuniões religiosas. Mas recuou após ser intimado por Nunes Marques a cumprir a determinação.

Durante entrevista à TV Estadão nesta quarta, Kalil disse que quase embarcou no que considera um "jogo" de desrespeito ao Supremo. "Uma minoria quer isso mesmo, enfraquecer as instituições", disse. Mas sua posição contrária a qualquer tipo de aglomeração não mudou. "Quando se aglomera em qualquer lugar, desde um baile funk a um culto religioso - e não estou aqui comparando - , se joga (a responsabilidade) no colo do profissional de saúde."

Igreja Mundial do Poder de Deus realiza culto presencial em meio à pandemia, com público superior aos 25% determinados pelo STF
Igreja Mundial do Poder de Deus realiza culto presencial em meio à pandemia, com público superior aos 25% determinados pelo STF
Foto: Reprodução / Estadão

O prefeito mineiro também respondeu às críticas feitas a ele por alguns dos principais líderes evangélicos do País. O pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, chamou o prefeito de "bobalhão" e "inescrupuloso", enquanto Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus, o classificou como um "louco" porque estaria desrespeitando Deus.

"Ser agredido porque penso diferente é típico de quem não é cristão e não tem empatia. Os termos chulos devem ficar na boca dos desbocados, como o prefeito de Belo Horizonte. Eu não usaria bobalhão, mas bostão para ele (Malafaia)", rebateu Kalil, que diz não conhecer pessoalmente Malafaia. "Só o vi no aeroporto uma vez, de terno e gravata e de 'rolex no braço'."

Em seu segundo mandato à frente da capital mineira - foi reeleito em primeiro turno ano passado com 63% dos votos -, Kalil já determinou o fechamento de todas as atividades comerciais não essenciais na cidade em quatro oportunidades. A última se deu no início de março e segue válida. Aos domingos, até mesmo padarias, supermercados e açougues fecham para evitar aglomerações.

"Eu sou conhecido como um atleticano fervoroso mas, se estou proibido por uma questão sanitária de ir ao estádio, não sou menos torcedor por isso. Digo isso por uma analogia. Na pandemia, eu tenho que seguir o Atlético pela televisão", afirmou o prefeito ainda sobre a proibição de cultos.

Negacionismo

Ao comentar a situação da pandemia no Brasil, Kalil criticou os negacionistas. "A situação está grave no planeta Terra. Em que planeta estão os negacionistas? Os que ainda não estão, serão entubados. Isso não é só a medicina que está dizendo, mas a probabilidade estatística", disse.

A capital mineira registrou nas últimas 24 horas recorde de mortos: 92. A taxa de ocupação de UTIs está em 95,4% e o prefeito afirma buscar farmacêuticas para comprar vacinas. Segundo ele, a Prefeitura de Belo Horizonte tem recursos para adquirir 4 milhões de doses, mas não consegue acordo para adquirí-las. A dificuldade também é enfrentada pelo prefeito da capital paulista, Bruno Covas (PSDB), que tenta lançar seu próprio plano de vacinação.

Sobre a postura do presidente Jair Bolsonaro - que visitou nesta quarta o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), considerado também negacionista -, Kalil afirmou que o correto seria o presidente admitir seus erros e parar de achar que pessoas que não concordam com ele são suas inimigas. "Falta uma palavra no dicionário do presidente e eu disse essa palavra ela hoje: 'eu errei'. Sou humano e errei.

Para Kalil, o governo federal precisa dar uma guinada em todas as suas ações relativas à pandemia e trabalhar de forma conjunta com os demais entes federativos. "O que ele fala tem peso. O que falta ao presidente da República é parar de criar inimigo. Ele tem que convocar governadores, prefeitos. Não precisa de intermediário, é uma questão de hierárquica."

Estadão
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