O júri de um misterioso assassinato

Dez anos, duas versões, um julgamento. A execução do prefeito Celso Daniel, em 2002, colocou sete pessoas no banco dos réus, mas apenas uma foi julgada até agora. Explicações conflitantes e recursos intermináveis tornam "o caso, em termos de delonga no curso da ação, emblemático" - nas palavras do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello. O cenário deve mudar em 10 de maio de 2012, quando cinco acusados vão a júri. O mais aguardado julgamento, porém, o do empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, ainda não tem data definida.


Era ao lado dele que o prefeito de Santo André voltava de um jantar na capital paulista, quando teve o carro interceptado. Bandidos dispararam contra o veículo dirigido por Sombra, que diria ter respondido aos tiros e alegaria falhas no carro ao ser perguntado, mais tarde: como pudera Celso Daniel ter sido levado como única vítima para um cativeiro? Foi em um sítio em Juquitiba, dois dias depois, que a polícia topou com o corpo do petista, perfurado por sete balas. Os sequestradores tinham outro alvo e, descoberto o erro, ouviram orientação para libertar a vítima como ordem para matá-la. Versão da polícia. A família de Celso Daniel e o Ministério Público se recusaram a ver assassinato por engano diante das perícias que desmentem os depoimentos de Sombra, das mortes de testemunhas e dos indícios de um esquema de corrupção na prefeitura de Santo André. Relembre o caso neste especial do Terra: