O Brasil quer voltar a
viajar de trem

Depois de quatro décadas de esquecimento, os governos federal e de alguns Estados resolveram colocar o Brasil de volta aos trilhos. Por imposições econômicas, as atenções das autoridades se voltaram quase exclusivamente para o transporte rodoviário nas últimas décadas. Agora, com a saturação das rodovias e aeroportos, o debate sobre novas formas de locomoção se intensifica, e o transporte regional de passageiros por ferrovias entrou na agenda de programas públicos. São pelo menos 19, que somam mais de 2.900 km de estradas de ferro, praticamente o dobro do que existe hoje.

O País já transportou mais de 100 milhões de pessoas por ano, em média, na década de 60, em viagens regionais de trem, e hoje vê apenas 1,5 milhão viajarem desta maneira anualmente. Quase que acabaram os trens intermunicipais de passageiros regulares no Brasil. Atualmente, existem apenas duas linhas, operadas pela empresa Vale, que são as estradas de ferro que vão de Belo Horizonte a Vitória (foto) e de São Luiz a Parauapebas (MA), desconsiderando os trens metropolitanos de algumas capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte e Salvador, que fazem viagens curtas e com paradas constantes.

Anunciado pela presidente Dilma em agosto, o plano do governo é investir no setor cerca de R$ 91 bilhões nos próximos 25 anos, por meio de parcerias público-privadas (PPPs). Para administrar os projetos, foi criada a Empresa de Planejamento e Logística (EPL). Embora estejam longe de entrar em funcionamento, as iniciativas mostram que há, sim, uma preocupação com outras formas de locomoção. O projeto mais audacioso é o do Trem de Alta Velocidade (TAV), já batizado de trem-bala, que vai cortar grandes cidades de São Paulo, como Campinas, São José dos Campos e a capital, e no caminho até o Rio de Janeiro passa por Resende e Barra Mansa. Ele estará operando de forma plena em 2020, garantem as autoridades.

No Centro-Oeste, o governo federal quer unir Brasília e Goiânia por meio de 190 km de trilhos. Em Minas, a ideia é reutilizar as ferrovias abandonadas e integrar BH com a região metropolitana, bem como com Sete Lagoas e Conselheiro Lafaiete.

Confira neste especial do Terra todos esses projetos, a situação deles, além da opinião de especialistas no assunto.