Entre as quadrilhas especializadas e grandes facções do tráfico, a aposentadoria do revólver 38 ocorreu há muito tempo. Já há regiões no País em que a .40 já supera o antigo revólver no número de casos de homicídios.
Para o coordenador da ONG Viva Rio e ex-comandante da Polícia Militar fluminense, coronel Ubiratã Ângelo, o descontrole no mercado legal fomentado por uma “cadeia de corrupção” é determinante para facilitar o acesso a pistolas .40 ou 9 mm (com maior poder de perfuração) e principalmente armas militares, como fuzis e bazucas. “E quando se fala de corrupção não é só de servidores da área de segurança. É preciso um controle maior do mercado legal, pois há uma clara desobediência às normas de compra, venda e controle de armas no Brasil.”
Apesar da evidente facilidade para compra de pistolas ilegais em países como o Paraguai, o estudo da ONG chamado de Mapa da Violência identificou que 80% das armas apreendidas eram de fabricação brasileira e apenas 20% contrabandeadas do exterior. “Há também um descaso no País com os desvios de munições. Alguns casos ocorreram em quartéis, em delegacias, mas há um volume muito maior que abastece o crime organizado, e onde está a origem?”, questionou o coronel da PM.
Ângelo diz que a superioridade bélica de criminosos diante das forças policias na capital fluminense “é óbvia”, mas pondera: em linhas gerais, a polícia tem mais arma que o bandido, porque há muito mais PMs e agentes do que criminosos. “Na verdade é impossível fazer uma comparação real quanto á capacidade bélica, já que a polícia tem que atirar dentro da legalidade, com princípios. Para nós o uso da força da pode ser utilizado em algumas situações”, lembrou.
O coordenador da ONG relatou ter coordenado a migração do revólver calibre 38 para a pistola .40, quando era comandante da PM fluminense, em 2007. “Nossa polícia é bem armada, este não é um problema. Há um fato claro: eles têm bazucas. Nós não temos bazucas e continuaremos sem ter bazucas”, avaliou.