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Henrique Meirelles amplia negociações com Centrão e quer apoio do PR

Pré-candidato do MDB intensifica ofensiva sobre Centrão, oferece vice a Flávio Rocha (PRB) e corre atrás de apoio do PR, que se distanciou de Bolsonaro

18 jul 2018
16h57
atualizado às 23h29
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BRASÍLIA - O pré-candidato do MDB ao Palácio do Planalto, Henrique Meirelles, intensificou as negociações com o Centrão nas eleições 2018. Até agora, o bloco formado por DEM, PP, PRB e Solidariedade está mais inclinado a apoiar o presidenciável do PDT, Ciro Gomes, mas ainda negocia com o tucano Geraldo Alckmin. Diante das dúvidas do grupo, Meirelles reforçou o assédio aos partidos do Centrão e também ao PR, chefiado por Valdemar Costa Neto.

"Vamos agarrar o homem", brincou ele, numa referência a Costa Neto, ao ser lembrado pelo Estado de que o PR está "solto", após o fracasso das negociações com o pré-candidato do PSL, Jair Bolsonaro. "Não vai ficar solto, não. Nós vamos atrás", emendou o ex-ministro da Fazenda.

O Centrão quer atrair o PR para uma aliança que, se tudo correr como o roteiro planejado pela maioria de seus integrantes, poderá ter o empresário Josué Gomes como vice na chapa liderada por Ciro. Josué é filho do vice-presidente José Alencar, morto em 2011.

O Estado apurou que Meirelles conversou nesta quarta-feira com o presidente do PRB, Marcos Pereira, e ofereceu ao partido o cargo de vice para o empresário Flávio Rocha, dono da Riachuelo, que desistiu de sua pré-candidatura na sexta-feira. Rocha , no entanto, rechaçou a possibilidade de ser vice em alguma chapa porque pretendia retornar à vida empresarial. Até então, o PSDB, de Alckmin, parecia mais próximo de um acerto com o PRB.

Ainda nesta quarta, Meirelles vai se encontrar com o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP e defensor da aliança com Ciro Gomes. Ele cogita também de uma aproximação com o PTB, de Roberto Jefferson.

Apesar dos esforços do ex-ministro, representantes do Centrão tendem a rejeitar uma aliança com o MDB. Embora os partidos do bloco comandem ministérios importantes, como Saúde, Cidades, Agricultura e Educação, seus líderes acreditam que a candidatura do MDB não deve decolar, além de ser afetada pela impopularidade do presidente Michel Temer.

O Planalto ameaça tirar cargos de quem se unir a Ciro, que chamou Temer de "quadrilheiro" e "ladrão". A portas fechadas, porém, dirigentes do Centrão afirmam que Temer está no fim do governo, precisa dos antigos aliados para aprovar projetos no Congresso e, "não tem mais tinta na caneta" para nomear cargos em virtude do pouco tempo de mandato.

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Renan

O MDB fará convenção no dia 2 de agosto para oficializar a candidatura de Meirelles, em Brasília. Pelas contas do ministro da Casa Civil e vice-presidente da legenda, Eliseu Padilha, o ex-ministro tem o aval de 443 dos 629 convencionais.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) lidera um movimento contra a candidatura de Meirelles. Em vídeo enviado aos delegados que participarão da convenção, Renan pede voto contra o ex-ministro e diz que o MDB não pode se transformar em uma "legenda de aluguel, movida pelo interesse do sistema financeiro". Adversário de Temer, o senador prega que o partido não tenha chapa própria ao Planalto para que os Estados façam acertos regionais como bem entenderem. Em Alagoas, Renan está com o PT.

Após participar, nesta quarta, do Fórum de Mobilidade ANPTrilhos, que promove sabatina com presidenciáveis, Meirelles disse ter segurança de que será escolhido candidato do MDB na convenção. "Já temos vasta maioria dos votos", insistiu. Disse ainda que as divergências com Renan servem para mostrar o "contraste de biografias" entre os dois.

Questionado sobre o fato de não ter fechado qualquer aliança até agora, o ex-ministro repetiu que não está isolado na campanha. "Mas eu não gosto de anunciar os partidos com quem estou conversando. Gosto de anunciar resultados", afirmou.

Loteamento

No Fórum de Mobilidade, Meirelles defendeu a autonomia das agências reguladoras na fiscalização de obras para garantir o transporte sobre trilhos. "O governo deve deixar explícito que as agências não serão usadas simplesmente como arranjos políticos", afirmou ele, em discurso contrário à atual prática, que privilegia o loteamento dessas autarquias. Nos últimos tempos, por exemplo, o MDB não escondeu a disputa por assentos nas agências reguladoras.

Apesar de não querer entrar em confronto com seu próprio partido, Meirelles disse que as agências precisam seguir o exemplo da Caixa Econômica Federal. "Cargos tem que ser ocupados por pessoas com experiência profissional e qualificação adequada. Eu já fiz isso quando fui ministro da Fazenda, com o estatuto da Caixa", comentou o pré-candidato.

Questionado sobre reportagem do Estado publicada nesta quarta, mostrando que a Receita, o Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vão fiscalizar suspeitas de uso de dinheiro em espécie para caixa 2 de campanha nas eleições, Meirelles disse que a medida faz parte de uma "trajetória esperada e necessária".

Ao ser perguntado por que a iniciativa não foi tomada antes, o ex-ministro afirmou que a Receita está "o tempo todo melhorando os seus procedimentos". Meirelles destacou que o secretário da Receita, Jorge Rachid, foi escolhido por ele para o cargo e mencionou convênios internacionais firmados quando foi ministro da Fazenda, de maio de 2016 a abril deste ano, para o combate à lavagem de dinheiro e evasão fiscal. "A expectativa é de que a Receita seja cada vez mais eficiente no seu trabalho arrecadatório", argumentou.

Estadão
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