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Governo dos EUA vive mais longa paralisação de sua história

12 jan 2019
09h50
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Paralisação parcial da máquina estatal entra em seu 22º dia. Trump fala em "invasão" de imigrantes para pressionar democratas a aprovar muro na fronteira. Cerca de 800 mil funcionários públicos estão sem salários.Em meio a um impasse entre a Casa a Branca e a oposição democrata, a atual paralisação parcial da máquina estatal americana, também chamada de shutdown, entrou em seu 22º dia neste sábado (12/01), o que faz dela a mais longa da história dos EUA. O recorde anterior havia ocorrido em 1966, no governo do ex-presidente Bill Clinton.

A recusa democrata em aprovar 5,7 bilhões de dólares exigidos por Donald Trump para a construção de um muro na fronteira com o México destinado a frear a imigração ilegal, uma de suas principais promessas de campanha, paralisou o governo.

Em resposta, o presidente se recusou a assinar orçamentos de vários departamentos governamentais não relacionados com a disputa. Como resultado, cerca de 800 mil funcionários do Estado - de agentes do FBI a controladores do tráfego aéreo e funcionários de museus - não receberam seus salários nesta sexta-feira.

No mesmo dia, Trump recuou da ameaça de declarar estado de emergência no país caso o impasse com os democratas não fosse resolvido, o que lhe daria poderes para driblar o bloqueio do Congresso.

"Não vou fazer isso tão rápido assim", disse o presidente. Ele afirmou que declarar estado de emergência seria a maneira mais fácil de acabar com a paralisação do governo, mas que o Congresso precisa assumir a responsabilidade de aprovar os 5,7 bilhões de dólares.

Até o momento, Trump havia sugerido várias vezes estar perto de tomar a controversa decisão de declarar emergência. Não está claro o que fez o presidente mudar de ideia, mas ele reconheceu numa reunião da Casa Branca que a tentativa de adotar a medida poderia resultar em batalhas legais na Suprema Corte.

Opositores afirmam que uma manobra unilateral do presidente em relação à delicada questão da fronteira seria um abuso constitucional e estabeleceria um perigoso precedente para controversas semelhantes.

O impasse se transformou num teste para Trump, que chegou à Casa Branca gabando-se de sua habilidade de negociar e fazendo de uma política de fronteira agressiva o pilar de sua agenda nacionalista. Democratas, por sua vez, parecem determinados a não conceder uma vitória ao presidente nessa questão.

Cerca de um terço da fronteira com o México já é protegido por cercas, e a necessidade de um muro foi pouco debatida. Mas Trump transformou a questão numa cruzada política, vista por opositores como uma manobra para alimentar a xenofobia de seu eleitorado de direita, enquanto ignora deliberadamente a complexa realidade da fronteira.

Trump visitou a fronteira do Texas com o México nesta quinta-feira numa tentativa de pressionar a oposição democrata a aprovar o financiamento da construção do muro. Num tuíte postado nesta sexta, Trump classificou a imigração ilegal na fronteira sul do país de "crise humanitária" e "invasão", apesar de as travessias terem diminuído nos últimos anos.

Nancy Pelosi, líder democrata da Câmara dos Representantes e figura-chave da oposição à agenda de Trump, afirmou que dinheiro deveria ser investido em segurança de fronteiras, mas não em muros.

Entre os órgãos governamentais que não estão recebendo verbas durante a paralisação estão as secretarias de Estado, Agricultura, Transporte, Interior e Justiça. Alguns dos famosos parques nacionais do país estão fechados, assim como os museus Smithsonian e o Zoológico Nacional em Washington.

Quase todos os funcionários da agência espacial Nasa receberam instruções para permanecerem em casa. O mesmo ocorre com a agência do Departamento do Tesouro responsável pela coleta e restituição de impostos.

A Câmara dos Representantes e o Senado votaram nesta sexta-feira a favor de assegurar pagamento retroativo aos funcionários públicos assim que a máquina estatal voltar a funcionar normalmente. O presidente ainda precisa assinar a legislação.

LPF/ap/afp

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