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França tem "onda verde" nas eleições municipais

29 jun 2020
07h41
atualizado em 30/6/2020 às 11h11
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Legenda ambientalista impôs derrotas ao partido de Macron em grandes cidades do país, em pleito marcado por abstenção recorde. Em Paris, prefeita socialista é reeleita.O partido do presidente Emmanuel Macron sofreu neste domingo (28/06) uma derrota contundente nas eleições municipais francesas, que também foram marcadas por abstenção recorde e pelo avanço dos Verdes, que conquistaram várias prefeituras de cidades importantes do país.

Macron durante as eleições de domingo. Partido do presidente sofreu com a impopularidade do governo
Macron durante as eleições de domingo. Partido do presidente sofreu com a impopularidade do governo
Foto: DW / Deutsche Welle

Já em Paris, a socialista nascida na Espanha Anne Hidalgo conquistou mais um mandato com pouco mais de 50% dos votos, à frente de sua principal adversária, a ex-ministra da Justiça Rachida Dati, candidata dos Republicanos (partido conservador), que obteve 32%, segundo as primeiras estimativas.

Fora de Paris, os Verdes dominaram, vencendo em Lyon, Bordeaux e Marselha, assim como em outras municipalidades expressivas, como Besançon, Poitiers e Annecy.

"Esta noite venceu o desejo de um ecologismo concreto, um ecologismo de ação", declarou o líder do Europa Ecologia - Os Verdes (EELV) e eurodeputado Yannick Jadot.

A vitória também posiciona os Verdes como a principal força de esquerda na França, um sinal da mudança política que têm ocorrido em muitos países europeus, onde antigos partidos social-democratas têm perdido espaço. No momento, há ministros ambientalistas na Suécia, Finlândia e Áustria, e os Verdes têm consolidado a posição de segunda maior força política nas pesquisas eleitorais na Alemanha.

Já o partido do presidente francês, o República em Marcha (LREM), criado alguns meses antes das eleições presidenciais de 2017, perdeu em quase todas as grandes cidades francesas.

O primeiro-ministro, Édouard Philippe, cuja popularidade disparou por sua gestão da pandemia, ajudou em parte a estancar a perda de votos do governo, ao vencer a corrida pela prefeitura da cidade portuária de Le Havre, seu reduto eleitoral. A Constituição francesa permite que o premiê possa nomear um substituto para governar a cidade e manter seu cargo no Legislativo.

"Esta noite, sentimos certa decepção", admitiu a porta-voz do governo francês, Sibeth Ndiaye.

Já na cidade de Perpignan, perto da fronteira com a Espanha, venceu o candidato de extrema direita Louis Aliot, ex-companheiro de Marine Le Pen, que obteve 54% dos votos.

Com a vitória nesta cidade de mais de 100 mil habitantes, Aliot conquistou para a ultradireita a maior cidade desde Toulon em 1995. "É uma mensagem excelente para o futuro", disse o político ao comemorar sua vitória.

Mas foi um raro bom resultado neste pleito para a extrema direita, que no balanço geral acabou perdendo um número substancial de vereadores em várias cidades. Seis anos atrás, o RN - ainda chamado Frente Nacional - conquistou 1.438 cadeiras em 463 cidades. Ontem, foram 840 cadeiras em 258 cidades.

Abstenção recorde

As eleições ocorreram em meio à ameaça de uma nova onda de coronavírus. Quase 30 mil pessoas morreram em decorrência da covid-19 na França. O cenário acabou favorecendo uma abstenção recorde no pleito.

Apesar da adoção de medidas sanitárias máximas, como o uso obrigatório de máscaras ou a disponibilização de álcool em gel nas seções eleitorais, apenas 40%, ou quatro em cada dez eleitores, compareceram às urnas.

Assim que os primeiros resultados foram divulgados, Macron disse estar "preocupado com a baixa participação".

A oposição também e, em particular, o líder da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon qualificou as eleições como uma "greve cívica", e a ultradireitista Marine Le Pen descreveu a abstenção como "impressionante".

JPS/rt/lusa/afp

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