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Filipinas proíbem envio de trabalhadores ao Kuwait por abusos

13 fev 2018
14h10
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Governo anuncia decisão após relatos de exploração e mortes de filipinos no país árabe, incluindo o caso de uma empregada doméstica encontrada num freezer. "Os filipinos não são escravos de ninguém", diz presidente.As Filipinas impuseram uma proibição total ao envio de trabalhadores do país ao Kuwait, após o presidente Rodrigo Duterte criticar duramente o país do Golfo por relatos de abuso, exploração e mortes.

Segundo autoridades, 252 mil filipinos trabalham no Kuwait, a maioria como empregados domésticos. Eles fazem parte dos mais de 2 milhões de cidadãos das Filipinas empregados na região do Golfo, cujas remessas são vitais para a economia do país natal.

Leia também: TPI apura "guerra às drogas" de presidente filipino

A proibição total a novos empregos no Kuwait, anunciada nesta segunda-feira (12/02), se aplica inclusive a filipinos que já obtiveram um visto de trabalho, mas ainda não partiram para o país árabe. As autoridades não descartaram a possibilidade de revogar os vistos de filipinos que já trabalham no Kuwait. A medida deve afetar milhares de trabalhadores.

Na última sexta-feira, Duterte criticou o Kuwait, exibindo fotos que supostamente mostram uma empregada doméstica filipina encontrada num freezer de um apartamento abandonado. Ela estava desaparecida há mais de um ano e teria sido vítima de tortura e estrangulamento.

"Os filipinos não são escravos de ninguém, em lugar algum. Toda lesão física ilegal cometida contra um trabalhador filipino no exterior é uma lesão que eu sofro pessoalmente como chefe desta república", disse o presidente numa entrevista coletiva.

No mês passado, Duterte já havia proibido filipinos de procurarem emprego no Kuwait, mas a medida não incluía aqueles que já obtiveram um visto. A decisão havia sido tomada após a morte de sete filipinos no país estrangeiro nos últimos meses, incluindo quatro empregados domésticos que alegadamente cometeram suicídio.

Duterte vem criticando o abuso de filipinos no Oriente Médio, chegando a ameaçar proibir que cidadãos do país trabalhem em qualquer país da região. Ele acusou empregadores árabes de cometerem estupros rotineiros contra trabalhadoras filipinas, além de forçá-las a trabalhar 21 horas por dia e alimentá-las com sobras.

"Há alguma coisa errada com a cultura de vocês? Há alguma coisa errada com os valores de vocês?", questionou o presidente, dirigindo-se ao Kuwait.

"Incidentes isolados"

Com a proibição total anunciada nesta segunda-feira, o secretário do Trabalho, Silvestre Bello, afirmou que foi criada uma força-tarefa para cuidar da repatriação de trabalhadores filipinos do Kuwait em 72 horas.

Bello observou, porém, que os que não quiserem deixar o país não serão obrigados a fazê-lo. No primeiro dia, 377 retornaram em três voos pagos pelo governo, sendo a maioria mulheres que trabalham como empregadas domésticas.

O ministro do Exterior do Kuwait, Sabah al-Khalid al-Sabah, condenou nesta terça-feira as ações do governo filipino, afirmando que Duterte poderia prejudicar as relações entre os dois países.

"Milhares de filipinos levam uma vida decente no Kuwait, mas infelizmente incidentes isolados acontecem, e estamos fornecendo aos nossos homólogos filipinos os resultados das investigações", disse o ministro.

Relatos de filipinos submetidos a abusos, excesso de trabalho e estupro ou até mesmo morrendo sob circunstâncias suspeitas no Oriente Médio circulam há tempos. Autoridades das Filipinas disseram estar de olho na China e na Rússia como "mercados alternativos" para trabalhadores estrangeiros.

LPF/afp/dpa/rtr/dw

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