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EUA: Nord Stream 2 não vai operar se Rússia invadir Ucrânia

27 jan 2022 08h02
| atualizado às 08h26
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Em meio a tensões no Leste Europeu, Departamento de Estado afirma que Washington vai atuar junto a Berlim para garantir que gasoduto russo-alemão não avance no caso de investida contra a Ucrânia.O gasoduto Nord Stream 2, entre a Rússia e a Alemanha, não vai avançar se a Rússia invadir a Ucrânia, afirmou o porta-voz do Departamento de Estado americano, Ned Price, em entrevista à emissora americana NPR nesta quarta-feira (26/01).

"Quero ser muito claro: se a Rússia invadir a Ucrânia, de um jeito ou de outro, o Nord Stream 2 não vai avançar", afirmou. "Não vou entrar em detalhes. Vamos trabalhar com a Alemanha para assegurar que ele não avance", acrescentou, sem especificar se o governo alemão concordou com isso.

O controverso gasoduto foi construído com o intuito de dobrar a quantidade de gás natural fornecida pela Rússia diretamente para a Alemanha via Mar Báltico, ou seja, sem passar pela Ucrânia, tradicional país de trânsito e que costuma receber taxas por isso. As obras foram concluídas em setembro do ano passado, mas o gasoduto ainda não começou a operar.

O projeto enfrentou resistência na União Europeia, por parte dos EUA e também da Ucrânia, sob o argumento de que irá elevar a dependência energética da Europa em relação à Rússia.

Price afirmou que, como ainda não há transporte de gás, os EUA e seus aliados têm poder de barganha sobre a Rússia.

Washington e seus aliados estimam que cerca de 100 mil soldados russos estejam atualmente estacionados perto da fronteira da Ucrânia, o que gerou temores de uma invasão.

A Rússia nega ter planos nesse sentido, mas exige que a Otan limite sua presença no Leste Europeu e é contra a adesão da Ucrânia à aliança - o que Washington e a Otan rejeitam.

O Nord Stream 2 poderia de fato ser alvo de sanções?

Os EUA, a Alemanha e outros países europeus afirmaram que a Rússia terá de pagar um alto preço se invadir a Ucrânia, mas é controverso se isso incluiria colocar a operação do Nord Stream 2 em xeque.

O governo alemão anterior, liderado por Angela Merkel, insistiu que o gasoduto é um projeto puramente comercial. O atual chanceler federal alemão, Olaf Scholz, disse se trata de um projeto do setor privado.

Ainda assim, num sinal de que Scholz pode estar mudando de posição, ele afirmou neste mês que se atém a um acordo entre Alemanha e EUA de não permitir que Moscou use o gasoduto como arma e que, quando se trata de sanções, tudo é possível.

Após encontro com a ministra do Exterior alemã, Annalena Baerbock, na semana passada, o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, já havia afirmado que o Nord Stream 2 é um instrumento de pressão, que poderia ser usado para dissuadir uma invasão da Ucrânia pela Rússia. Baerbock, por sua vez, enfatizou que Moscou pagaria um preço alto no caso de uma investida contra o país vizinho.

O fato de a Alemanha não ter se unido a outros membros da Otan no fornecimento de armamento à Ucrânia neste momento de tensão foi criticado por alguns aliados. Mas, nesta segunda-feira, Scholz reiterou sua posição de agir em conjunto com a Otan. "Se essa situação ocorrer [uma invasão da Ucrânia], agiremos em conjunto. O preço seria alto", disse.

Na terça, a embaixadora da Alemanha em Washington, Emily Harber, também pareceu endossar um endurecimento da posição alemã. No Twitter, ela escreveu que os EUA e a Alemanha declararam em conjunto em meados do ano passado que "se a Rússia usar energia como arma ou se houver outra violação da soberania da Ucrânia, a Rússia terá que pagar um preço alto".

Nord Stream abre subsidiária alemã

A Nord Stream 2 AG, o consórcio que é proprietário do gasoduto Nord Stream 2, anunciou a criação de uma subsidiária alemã, chamada Gas for europeu GmbH. Tal passo deixaria o gasoduto mais perto de receber a aprovação de autoridades reguladoras alemãs para começar a operar.

Em novembro passado, a Agência Federal de Redes de Energia (Bundesnetzagentur) da Alemanha interrompeu temporariamente o processo de aprovação do Nord Stream 2, afirmando que a lei alemã exige que a operadora seja uma empresa alemã.

Os comentários de Washington e Berlim sobre o gasoduto vieram em meio a uma série de encontros diplomáticos para tentar reduzir as tensões envolvendo uma possível invasão da Ucrânia.

Nesta quarta-feira, representantes da Ucrânia e da Rússia participaram de um encontro em Paris, com mediação de representantes da França e da Alemanha num formato chamado Normandia. Uma nova rodada de conversações foi marcada para daqui a duas semanas em Berlim.

lf/as (Reuters, AFP, AP, DW)

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