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EUA apresentam 17 novas acusações contra Julian Assange

23 mai 2019
21h26
atualizado em 24/5/2019 às 06h23
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Fundador do WikiLeaks pode enfrentar décadas de prisão após ser acusado de violar a Lei de Espionagem e de colocar o país em risco ao publicar informações sigilosas. Entidades falam em ameaça à liberdade de imprensa.O Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou nesta quinta-feira (23/05) 17 novas acusações contra Julian Assange, fundador do WikiLeaks, que se for condenado pode passar décadas na prisão. Ele já enfrenta um pedido de extradição do Reino Unido.

Assange é acusado de violar a Lei de Espionagem americana e de colocar os EUA seriamente em risco ao publicar, em seu portal na internet, milhares de documentos secretos e sigilosos, incluindo os nomes de fontes confidenciais das Forças Armadas americanas.

A Justiça dos EUA também o acusa de conspirar e ajudar a ex-analista da inteligência militar americana Chelsea Manning a obter acesso a material confidencial em 2010.

Assim, as acusações rejeitam a alegação de que ele seria apenas a pessoa que publicou material recebido de Manning, uma conduta que é protegida pela Primeira Emenda da Constituição americana como liberdade de imprensa.

As ações afirmam que Assange conspirou ativamente com Manning para roubar centenas de milhares de arquivos confidenciais "com razão para acreditar que a informação seria usada para prejudicar os Estados Unidos ou beneficiar uma nação estrangeira".

As acusações também dizem que o australiano ignorou o pedido do Departamento de Estado americano em 2010 para que não fossem publicados os nomes de suas fontes confidenciais, bem como de fontes das Forças Armadas americanas no Afeganistão, Irã, Iraque, Síria e China. Essas fontes incluiriam jornalistas, líderes religiosos, defensores de direitos humanos e dissidentes políticos.

"As ações de Assange arriscaram sérios danos à segurança nacional dos Estados Unidos em benefício de nossos adversários e colocaram fontes humanas em graves e iminentes riscos de sérios danos físicos e/ou detenções arbitrárias", afirmou o departamento.

As novas acusações vêm cerca de um mês depois de o Departamento de Justiça ter apresentado uma primeira acusação mais branda contra o australiano, logo após sua prisão na embaixada do Equador em Londres, em abril.

Assange enfrenta agora um total de 18 acusações criminais e pode vir a passar muitos anos na prisão caso seja extraditado do Reino Unido e condenado nos Estados Unidos.

A decisão de acusar o australiano de crimes de espionagem é algo não tão comum nos EUA, onde a maioria dos casos envolvendo roubo de informações sigilosas tem como alvo funcionários do governo, como Manning, e não pessoas que publicaram as informações.

Com destaque para esse argumento, defensores de Assange, bem como o WikiLeaks e entidades da imprensa, rechaçaram as acusações nesta quinta-feira.

"As acusações sem precedentes demonstram a gravidade da ameaça que o processo criminal de Julian Assange significa para todos os jornalistas em seu esforço para informar o público sobre ações que foram tomadas pelo governo dos EUA", disse Barry Pollack, advogado americano de Assange.

O WikiLeaks seguiu o tom e afirmou que as ações ameaçam o trabalho de jornalistas. "Isso é loucura. É o fim do jornalismo de segurança nacional e o fim da Primeira Emenda."

"As acusações trazidas contra Julian Assange sob a Lei de Espionagem representam uma ameaça direta à liberdade de imprensa e ao jornalismo investigativo, ambos prejudicados quando aqueles que informam o público são processados por soar o alarme", disse, por sua vez, a ONG Repórteres sem Fronteiras.

Em defesa da Justiça americana, o procurador-geral assistente dos EUA, John Demers, afirmou que o "departamento leva a sério o papel de jornalistas em nossa democracia", mas que "Julian Assange não é jornalista".

Assange, de 47 anos, foi preso em 11 de abril pela polícia britânica depois que o Equador revogou seu asilo de sete anos na embaixada do país em Londres.

Ele agora cumpre uma sentença de 50 semanas de prisão por ter violado as condições de sua liberdade condicional quando se refugiou, em 2012, na embaixada equatoriana para evitar uma extradição. Assim que for libertado, deve enfrentar um processo de extradição para os EUA.

EK/afp/ap/efe/rtr

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