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'Estado' apresenta projetos multimídia durante evento da Associação Mundial de Editores

Apresentação fez parte do segundo dia da Conferência Digital Media LATAM, da WAN-IFRA, no Rio de Janeiro

13 nov 2019
00h04
atualizado às 07h51
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RIO - Entender, a partir de dados, o que o leitor quer e integrar equipes de diferentes áreas para entregar a ele o melhor produto. Para profissionais da imprensa que trabalham no processo de renovação das formas de se fazer jornalismo, esses são atualmente os pontos-chave da atividade, em profunda transformação. Os novos modelos de negócio e de produção jornalística foram tema de debate no segundo dia da Conferência Digital Media LATAM, da Associação Mundial de Editores de Notícias (WAN-IFRA), no hotel Grand Hyatt, na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro.

A mesa de debate "Aceleradores: Empoderando os veículos de comunicação para prosperarem na era digital", cujo foco foi o projeto do Facebook que financia iniciativas de jornalismo em todo o mundo, contou com a participação da Diretora Digital do Estado, Luciana Cardoso. Ela apresentou o projeto Deixa Ela, feito em parceria com a rede social e o International Center for Journalists (IFCJ).

Além de abordar o projeto de vídeos sobre as mulheres na sociedade, Luciana destacou o processo de transformação digital pelo qual o jornal passa. Assim como as outras participantes do debate, ela ressaltou como é necessário, hoje, entender, com base em dados concretos, o que interessa ao público.

"Temos misturado muitas habilidades diferentes, e com isso estamos fazendo muitos treinamentos para a redação,, disse ela, descrevendo a experiência do Estado. "Tem sido um grande desafio conectar todas essas novas tecnologias dentro da redação."

O Deixa ela foi desenvolvido depois de selecionado entre 32 propostas apresentadas por profissionais da redação em edital aberto pelo Facebook e a IFCJ. São oito vídeos temáticos sobre a vida das mulheres em diferentes temas: viver, ser, fazer política, estudar, trabalhar, decidir, competir e sonhar. Foi produzido ainda um minidocumentário e vídeos com bastidores sobre a produção do especial.

Aproximar o jornalista do leitor é uma das iniciativas do Estado no momento, para colocar o público como parte do processo, explicou Luciana.

Outras experiências

Editora de Conteúdos Digitais e Mídias Sociais do jornal Estado de Minas, a jornalista Liliane Corrêa contou como o diário conseguiu retomar espaço após a perda de capilaridade da distribuição de jornais impressos. Minas Gerais tem 853 municípios e, segundo ela, o jornal chegou a ser distribuído em mais de 600 deles. Hoje, se limita a cerca de 60.

Com o auxílio do Facebook, o diário contratou pessoas em cinco locais-chave de Minas Gerais. O objetivo era entender o que interessava àquelas regiões. Com isso, de acordo com Liliane, o Estado de Minas teve 890 mil visualizações de página a mais num período de um mês.

"A gente está vivendo um momento em que a redação está pulsando de modo completamente diferente. Ser jornalista hoje não é o mesmo que era há cinco, dez, quinze, vinte anos", afirmou.

Para ela, a integração entre áreas como redação, marketing e assinaturas digitais, por exemplo, é fundamental para o futuro do jornalismo.

Outro veículo que apresentou sua experiência de transformação da redação foi o jornal Clarín, da Argentina, representado pela gerente de mídia social, Fernanda Brovia. O diário do país vizinho reformulou seu planejamento de vídeos e, com isso, aumentou o número de visualizações e o tempo de permanência no conteúdo. Em seis meses, a quantidade de vídeos produzidos caiu pela metade, no intuito de priorizar a qualidade do material. O resultado: 25% de acessos a mais e 700% de aumento no número de minutos assistidos em cada vídeo.

Fernanda contou como é difícil mudar a cultura de um jornal antigo, mas disse que esse projeto ajudou a criar um embrião para que o processo avance.

"Nosso trabalho ganhou poder dentro da redação, foi legitimado, nos empoderamos como equipe e, a partir desse embrião, nos animamos para romper uma tradição do jornal", relatou.

A Conferência Digital Media LATAM, que começou nesta terça-feira, 12, e vai até esta quarta-feira, 13, teve como foco os novos modelos de negócio e de produção jornalística. Com convidados nacionais e internacionais, os painéis debateram os desafios de financiamento do jornalismo em tempos de internet e as formas de atrair o leitor com formatos inovadores.

Passaram pelo auditório do Grand Hyatt, nesta terça-feira, profissionais do The Guardian (Inglaterra), CNN (Estados Unidos), National Geographic (Estados Unidos), Clarín (Argentina), Reuters (Estados Unidos), TyC Sports (Argentina), Revista Proceso (México), La Vanguardia MX (México), Marfeel (Espanha), Infobae (Argentina), El Debate (México), Pulzo.com (Colômbia) e The New York Times (Estados Unidos), além de diversos veículos brasileiros.

Premiados em 11 categorias

O Prêmio Digital Media LATAM, que reconhece trabalhos de jornalismo produzidos na América Latina, escolheu na noite desta terça-feira, 12, os vencedores da edição deste ano. Eram 11 categorias. A cerimônia ocorreu durante a Conferência Digital Media LATAM, da Associação Mundial de Editores de Notícias (WAN-IFRA), no hotel Grand Hyatt, zona oeste do Rio de Janeiro.

O jornal La Nación, da Argentina, foi o vitorioso da categoria, por causa de reportagem que revelou um amplo escândalo de pagamento de propina no país entre 2005 e 2015.

Fundador e diretor executivo do Centro Knight de Jornalismo nas Américas, o jornalista Rosenthal Alves fez a abertura da premiação. Ele afirmou que a profissão vem sofrendo "ataques históricos" em diversos cantos do mundo, inclusive no Brasil.

"Salvar o jornalismo profissional, através da transformação profunda das empresas tradicionais e do surgimento das novas empresas, não é só responsabilidade empresarial. É uma responsabilidade cívica, que ganha ainda mais importância na atual conjuntura política", disse.

O La Nación foi o grande vencedor da noite. Ficou em primeiro lugar em quatro categorias no total. Os demais vencedores incluem veículos do Brasil, Peru e Colômbia.

Estadão
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