As metas de redução de consumo a partir de 2002 devem cair para 5% no máximo, afirmou hoje o secretário estadual de Energia de São Paulo, Mauro Arce. Ele destacou, no entanto, que a definição exata sobre a extensão do plano de racionamento e seus índices só será divulgada a partir de 20 de novembro. A expectativa da Câmara de Gestão da Crise de Energia (GCE) é de que até esta data o governo tenha um balanço sobre o início da geração emergencial - por meio da contratação de energia produzida por plantas móveis, como barcaças - e sobre a recomposição dos reservatórios.
Arce, que também integra a GCE, reiterou que a grande preocupação no governo continua sendo com o Nordeste, que depende das chuvas na cabeceira do Rio São Francisco, na Serra da Canastra (MG), o que não está ocorrendo.
Além disso, o início do horário de verão não deve trazer grande alívio para os níveis de consumo. Segundo Arce, a economia resultante do horário de verão deve significar algo em torno de 0,5% e 1% de redução no consumo, principalmente nos picos. "No Nordeste não temos mais muitas alternativas: a região depende de um rio, a principal linha de transmissão está sendo totalmente utilizada e o consumidor não está muito disposto a economizar", acrescentou o secretário.
As opções em estudo para poupar os reservatórios estão sendo discutidas principalmente entre a Companhia Hidroelétrica São Francisco (Chesf) e as indústrias eletrointensivas. Arce revelou que estudos preliminares indicam uma economia de 63 MW com a geração própria nestas indústrias.
Outra alternativa, que ainda não tem consenso entre os grandes consumidores, é a transferência da produção para outras regiões do País. A situação no Sudeste, destacou Arce, é mais tranqüila. "As chuvas na primavera ficaram acima do esperado. A vazão dos rios Paranapanema e Tietê já está recuperada."
A resolução contendo todas as medidas previstas no chamado Plano B de racionamento - entre elas os apagões e feriadões compulsórios - deve ser publicada amanhã, de acordo com o secretário. Ele participou hoje do II Congresso Brasileiro de Regulação de Serviços Públicos Concedidos, em São Paulo.