Os presidentes da Bolívia, Hugo Banzer, e do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, buscarão esta terça-feira durante seu encontro em La Paz aprofundar e ampliar a integração binacional, além da compra e venda de gás natural que até agora centrou a relação entre os dois países. Os ministros da Fazenda, José Luis Lupo, e do Comércio Exterior, Cláudio Mansilla, concordaram esta segunda-feira em destacar a importância da visita do presidente brasileiro para avançar também na integração comercial entre os dois países, além de tocar no tema energético."O fundamental é ampliar a relação boliviano-brasileira; precisamos de um melhor relacionamento comercial com o Brasil e isso é parte do que está sendo discutido, não apenas compra e venda de gás", disse à AFP o ministro Mansilla. Apesar da existência da tarifa zero para certos produtos bolivianos, pelo acordo comercial da Bolívia com o Mercosul, ainda existem obstáculos pára-alfandegários que freiam as exportações bolivianas ao país vizinho, como o caso dos têxteis, afirmou a autoridade.
O ministro da fazenda, José Luis Lupo, confirmou que o assunto é parte da agenda bilateral que os presidentes dos dois países tratarão, ainda que tenha reconhecido que o tema energético será fundamental. O governo boliviano busca neste campo tanto uma possível ampliação dos volumes de comprax do gás boliviano como a execução de outros projetos colaterais para a venda de energia elétrica, fertilizantes e polímeros ao gigante do sul.
Ao se referir a uma possível revisão dos preços de venda do gás boliviano para o Brasil, Lupo disse "tudo é possível, no contexto de que todos ganhem". Também destacou que se pode "falar de um novo marco de relacionamento que implique o acordo que já temos e outras coisas mais". "Temos reservas de gás e nosso objetivo é comercializá-las ao máximo; ao melhor preço e com o maior valor agregado possível", afirmou a autoridade monetária.
O governo brasileiro quer uma estabilização dos preços do gás boliviano, atualmente sujeitos às cotações do mercado internacional, o que encarece muito para Brasil, que este ano assistiu a uma progressiva desvalorização do real em relação ao dólar, ainda que esta tendência tenha se detido nos últimos dias.
O Brasil vive a pior crise energética de sua história por causa da falta de chuvas, que interrompeu o funcionamento de suas hidroeléctricas - das quais depende 92% de sua eletricidade -, ao qual se soma ainda á falta de previsão e infra-estrutura. Até o final do ano, os brasileiros, principalmente das regiões sudeste e nordeste, serão obrigados a reduzir em 20% seu consumo.
Dada a atual urgência, o gasoduto que une os dois países poderia estar funcionando com sua máxima capacidade para o ano 2003, um ou dois anos antes da data inicial de 2004-2005. Atualmente, pelo gasoduto circulam entre 8 e 9 milhões de metros cúbicos de gás diariamente, dirigidos à região de São Paulo.
Segundo o acordo assinado com o Brasil, 30 milhões de metros cúbicos por dia de gás boliviano devem circular em 2005 por este conduto de mais de 3.000 km de longitude, mas as autoridades brasileiras pretendem multiplicar esta quantidade por cinco.