O governo deve retomar o papel de planejador e controlador do setor de energia elétrica no país. Essa é a opinião da direção do Partido dos Trabalhadores (PT). "Está provado que o setor energético é estratégico, e quem nos chamava de dinossauros, na eleição de 1998, porque dizíamos isso, agora é que mostra quem é o dinossauro", afirmou o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, após reunião da executiva do partido em Brasília, onde foi avaliada a extensão da crise energética do país. O PT reconhece que, diante da gravidade do problema, não há solução de curto prazo fora o racionamento e o corte de energia. Mas ressalta que este problema só está acontecendo porque o governo reduziu em 50% os investimentos do setor e proibiu o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de financiar as estatais de energia, como parte da política de privatização do setor elétrico.
Neste sentido, o partido afirma que concorda com a necessidade de se privatizar usinas, mas não as já existentes. Apenas as que vierem a ser construídas, como meio de forçar a iniciativa privada a investir no setor.
Para deixar bem clara esta decisão, o PT vai propor a todos os partidos de oposição que tenham candidato à Presidência da República, a decisão de não privatizar Furnas e alertar a iniciativa privada para desprivatizá-la caso o atual governo a venda.
Esta proposta tem o objetivo evitar qualquer surpresa ao setor privado, deixando clara a linha a ser seguida pela oposição, caso chegue ao poder.
"O sistema brasileiro de geração de energia tem a mesma matriz dos sistemas americano, canadense e norueguês, que, em sua maioria, estatais, tem como base as usinas hídricas. No entanto, nestes países, o governo não fala em privatizar o que já está construído", afirmou o deputado federal Fernando Ferro (PT-PE), coordenador do Núcleo de Infra-Estrutura do PT.