O racionamento de energia deve provocar redução tanto nas exportações como nas importações brasileiras, de acordo com a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que elevou o juro básico de 16,25% para 16,75% ao ano. Essa queda, no entanto, pode ser maior para as exportações do que para importações. Se isso se confirmar, o problema na balança comercial pode se agravar, embora a ata não toque na questão.
Caso a balança comercial piore, o problema cambial tende a seguir o mesmo caminho, já que um dos fatores para a atual depreciação do real é o forte aumento nas importações, acima do crescimento das vendas externas.
"Cabe salientar que a magnitude da depreciação cambial observada nos últimos meses implica potencialmente maior dificuldade para manter baixas as taxas de inflação ao consumidor", diz a Ata.
Segundo o texto, as vendas de produtos básicos ao mercado externo devem ser os menos afetados, por não serem intensivos no uso de energia. Alguns semimanufaturados, como produtos metalúrgicos, o impacto será considerável, pois o uso de energia é muito grande. Os manufaturados também devem sentir o efeito da menor oferta de energia.
Do lado das importações, embora esperada uma queda, o Copom prevê um processo de substituição de produtos nacionais por importados, devido à menor produção interna, que atenuaria esse declínio.
Isso poderá ser observado nas compras de produtos importados como geradores e combustíveis para abastecer esses equipamentos, pois a oferta interna é escassa. Essas importações compensariam as esperadas reduções nas compras de matérias-primas, produtos intermediários e bens de capital.
Efeitos difíceis de estimar
Tal qual o mercado e o restante do governo, o Comitê de Política Monetária (Copom) ainda não consegue estimar "com precisão desejável" as consequências da crise energética sobre a economia brasileira. De acordo com a ata da reunião da semana passada - que elevou a Selic de 16,25% para 16,75% ao ano -, somente está claro que haverá um impacto "severo" sobre a oferta agregada, por conta da redução no consumo. "Isso caracteriza um choque de oferta", diz o texto.
Segundo o texto, a redução na oferta - não só de energia, mas também sobre bens e serviços em geral - tende a ser mais rápida do que a queda na procura. Isso, por sua vez, "tende a resultar em pressão inflacionária e menor taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB)". "No entanto, não é tarefa trivial quantificar adequadamente esses efeitos e seus desdobramentos", defende o Copom.
A autoridade monetária acredita que se a demanda demorar muito para se equilibrar com a rápida queda na oferta, pode haver também um incremento nas importações de produtos, bem como alta nos preços. Mas se a demanda interna cair rapidamente, "afetada fortemente pela deterioração nas expectativas", haveria menos impacto sobre a inflação e o saldo comercial.