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Em live, Bolsonaro diz que não é investigado por Coaf e que vai 'pagar' em caso de irregularidade

Presidente eleito usou as redes sociais para falar sobre movimentações financeiras de ex-assessor do filho, além de saída de acordos internacionais

12 dez 2018
21h20
atualizado às 22h14
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Em uma transmissão de vídeo nas redes sociais, o presidente eleito Jair Bolsonaro ressaltou que ele e seu filho, o deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL), não são investigados no caso em que movimentações financeiras "atípicas" de um ex-motorista foram identificadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O caso envolve depósitos em espécie recebidos por Fabrício José Carlos de Queiroz, que trabalhava no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

O presidente eleito disse ainda que qualquer envolvido, inclusive ele, deve pagar a "conta" caso alguma irregularidade seja comprovado. "Se algo estiver errado, que seja comigo, com meu filho, com o Queiroz, que paguemos a conta desse erro, que nós não podemos comungar com o erro de ninguém", disse o presidente eleito. "Aconteça o que acontecer, enquanto eu for presidente nós vamos combater a corrupção com todas as armas do governo, inclusive o próprio Coaf."

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, em transmissão ao vivo por meio de página nas redes sociais nesta quarta-feira (12)
O presidente eleito, Jair Bolsonaro, em transmissão ao vivo por meio de página nas redes sociais nesta quarta-feira (12)
Foto: Reprodução/Facebook / Estadão

Ele disse que está "aberto" a qualquer pergunta do público sobre o caso. "Dói no coração da gente? Dói, porque nossa maior bandeira é o combate à corrupção."

A transmissão é a primeira de Bolsonaro em um mês em sua página oficial no Facebook. O presidente eleito assumiu com a promessa de dar prioridade à comunicação por meio das redes sociais e, na live desta quarta-feira (12) disse que a partir desta semana fará transmissões semanais. Bolsonaro também comentou temas como multas ambientais, o Acordo Climático de Paris e a saída do Pacto Global de Migração - anunciada nesta semana.

Bolsonaro disse que fará sugestões de mudança no Acordo de Paris após sugestões do ministro indicado para o Ministério das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Caso as propostas não sejam acatadas, ele diz, o Brasil sairá do acordo. O presidente eleito justificou sua resistência ao pacto citando exigências de que o País faça o reflorestamento de grandes territórios, e disse que sediar Conferência do Clima das Nações Unidas, a COP-25 - outro compromisso do qual o País se retirou - custaria em torno de R$ 400 milhões, o que ele considerou muito caro. "Nós não podemos nos dar ao luxo de fazer um evento como esse."

As informações que eu tenho podem estar um pouco imprecisas, mas entre as exigências do Acordo de Paris se exige que se faça um reflorestamento de uma área enorme, algumas vezes o tamanho do Estado do Rio de Janeiro. Nós nao temos como cumprir", argumentou. "Por que dar uma de politicamente correto e continuar num acordo possivelmente danoso à nossa soberania?"

Migração. Sobre a saída do pacto migratório, Bolsonaro disse que não poderia "escancarar" a entrada de imigrantes "com uma cultura completamente diferente" no Brasil. Ele argumentou contra uma "cota migratória" e disse que países da Europa teriam a intenção de "se livrar" de imigrantes indesejados.

"Não podemos admitir deixar chegar gente de uma determinada cultura e quererem se casar com nossas filhas e netas de 10, 11 ou 12 anos de idade. Porque isso é cultura deles", disse Bolsonaro, sem especificar nacionalidades. "Não podemos, aqui, escancarar a porta para que quem quiser venha numa boa, inclusive com uma cultura completamente diferente."

Ele lembrou que é descendente de imigrante italianos, mas deu a entender que processos migratórios anteriores teriam ocorrido antes da formação de uma "nação". "A minha família mesmo é de imigrantes italianos, como todos nós aqui somos", disse. "Mas tem um detalhe: (hoje) nós já somos uma nação, uma pátria, somos um país."

Estadão
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