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Quando o eleitor é convocado a escolher o 'menos pior'

Fragilidade de PT e PSDB no mundo pós-Lava Jato abriu espaço para novos competidores nas eleições 2018 e 'voto útil' é antecipado já no primeiro turno

13 set 2018
05h11
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A fragilidade de PT e PSDB no mundo pós-Lava Jato abriu espaço para novos competidores e relegou ao eleitor a tarefa de resolver o problema da coordenação política nacional, colocando em destaque a ideia de um voto estratégico já no 1.º turno. Este apelo ao voto "útil" é comum em disputas de 2.º turno, quando o eleitor é convocado a votar de modo binário e escolhe aquela opção "menos pior", quando opta por aquele que menos dano causaria às suas convicções - é como se cada eleitor fizesse um ranking dos candidatos, saindo do mais ao menos preferido, e votasse de acordo com este ordenamento.

Contudo, estamos diante de um comportamento ainda mais sofisticado: informado pelas pesquisas de que seu candidato preferido possui menos chances no 2.º turno, o eleitor opta - já no 1.º turno - pela candidatura que minimiza o risco do pior cenário possível acontecer. Pudemos enxergar a reta final da eleição municipal de São Paulo, em 2016, como uma aplicação deste raciocínio; se os partidos não se coordenam de antemão, o eleitor dá um jeito de organizar o cardápio eleitoral, minimizando o risco do que considera inaceitável.

Este raciocínio sofisticado e estratégico não é exclusividade destas eleições, mas se tornou claramente uma alternativa para campanhas pela fratura do sistema partidário brasileiro. Entre 1994 e 2014, a soma de votos válidos de PT e PSDB no 1.º turno nunca foi menor que 70%. Com PT e PSDB despontando claramente como líderes do processo eleitoral, outros partidos antecipavam o comportamento estratégico do eleitor e "desistiam" da disputa, resignando-se à competição estadual e municipal. Desta vez, no entanto, vários partidos decidiram lançar candidatos, mas isto não impediu o raciocínio estratégico eleitoral, o voto útil sofisticado. Pelo contrário, reforçou sua importância.

* MESTRE EM CIÊNCIA POLÍTICA PELA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

Estadão Conteúdo

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