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PT de São Paulo mantém prévias apesar do avanço do coronavírus

Executiva municipal da sigla contraria apelo de dirigentes e até da direção nacional, que recomendou a suspensão das atividades partidárias que exijam aglomerações ou grandes deslocamentos

13 mar 2020
17h34
atualizado às 21h19
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A executiva municipal do PT de São Paulo decidiu manter as prévias que vão escolher o candidato do partido a prefeito da capital apesar do apelo de dirigentes e pré-candidatos que temem o risco de contaminação pelo coronavírus. Alguns pré-candidatos ameaçam recorrer da decisão ou até abandonar a disputa. As prévias estão marcadas para o dia 22 e, segundo estimativas, podem levar mais de 20 mil pessoas aos 37 diretórios zonais do partido em São Paulo.

Nesta sexta-feira, o presidente do diretório, Laércio Ribeiro, levou a votação a pedido de lideranças petistas para que as prévias fossem adiadas. Prevaleceu a posição de cancelar os debates previstos para este final de semana e manter as prévias. Antes, a direção nacional do PT se reuniu em Brasília e decidiu fazer uma recomendação para que sejam suspensas atividades partidárias que exijam aglomerações ou grandes deslocamentos. A decisão, no entanto, não é impositiva. O diretório municipal do PT afirma que na próxima terça-feira vai "reavaliar" a situação. Se o quadro piorar, o diretório pode adiar as prévias.

O deputado Carlos Zarattini, um dos pré-candidatos, avalia a possibilidade de abandonar a disputa. "É evidente que a gente tem que suspender a prévia. Em diretórios grandes podem ir até 2 mil pessoas. É uma irresponsabilidade", disse ele.

O também deputado Alexandre Padilha, que foi ministro da Saúde e um dos primeiros a levantar o risco de contaminação, disse que vai recorrer à direção partidária para que reveja a decisão. "Vou defender que o diretório municipal reavalie a sua decisão em função dos dados epidemiológicos revelados pelo Estado de São Paulo e pelo Ministério da Saúde que apontam a progressão de casos. Não é momento de estimular ou participar de atividades que mobilize ou aglomeram pessoas, essa é minha orientação como médico infectologista e gestor da saúde", disse ele.

Para o advogado Marco Aurélio Carvalho, o cancelamento das prévias é "medida necessária e urgente". "As aglomerações em situações como esta são inevitáveis e muito perigosas. Não há sentido algum em se manter o calendário das votações com cancelamento dos debates. O momento é de responsabilidade e precaução."

Para lideranças petistas, todo o debate sobre o risco de contaminação pelo coronavírus nas prévias do PT paulistano é mais político do que técnico.

Aliados do ex-secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, franco favorito na disputa, argumentam que os adversários querem apenas ganhar tempo para enfraquecê-lo. Tanto o presidente municipal, Laércio Ribeiro, quanto a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, foram eleitos com o apoio de Tatto e têm acordos políticos com o cacique paulista.

Adversários de Tatto apontam o fato de a executiva nacional do PT, comandada por Gleisi, ter aprovado também nesta sexta-feira, 13, uma resolução que cobra do governo federal a adoção de um protocolo único de procedimentos em relação ao coronavírus mas faz o contrário em relação às prévias do partido.

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Estadão
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