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'Muitos deles, jovens, negros. Sem tradição política', diz candidato derrotado em Porto Alegre

Sexto colocado na disputa pela Prefeitura, Valter Nagelstein (PSD) criticou de maneira preconceituosa vereadores recém-eleitos pelo PSOL; declaração gera enxurrada de críticas

18 nov 2020
21h29
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PORTO ALEGRE - Sexto colocado na corrida eleitoral para a prefeitura de Porto Alegre, Valter Nagelstein (PSD) criticou de maneira preconceituosa os vereadores da capital gaúcha recém-eleitos pelo PSOL. "Muitos deles jovens, negros. Vereadores esses sem nenhuma tradição política, sem nenhuma experiência e nenhum trabalho e pouquíssima qualificação formal", afirmou Nagelstein em mensagem de áudio dirigida a seus seguidores. Entre os 36 recém-eleitos, cinco são negros -- um recorde na cidade. Em 2016, apenas um vereador negro foi eleito, o já falecido Tarciso Flecha Negra (PSD).

O historiador Matheus Gomes (PSOL), negro e quinto mais votado para a Câmara Municipal afirmou: "Valter, tomaremos as medidas legais cabíveis. Não aceitaremos nenhum tipo de desqualificação racista. Temos uma bancada negra e vão ter que saber nos respeitar e nos chamar pelo nosso nome". Gomes afirmou, nesta quarta-feira, que estão em estudos as medidas a serem adotadas.

A manifestação do ex-candidato viralizou nas redes sociais, provocando enxurrada de críticas e levou o Núcleo de Estudos Judaicos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) a emitir uma nota de repúdio intitulada "Valter Nagelstein não representa a comunidade judaica gaúcha".

"Hoje (terça-feira), veio a público um áudio do ex-candidato à prefeitura de Porto Alegre, Valter Nagelstein, que causou uma onda absolutamente justificada de repúdio pelo racismo incontido de suas declarações, somado a um reacionarismo aviltante", diz o texto.

Vereadora mais votada na cidade, com mais de 15 mil votos, a professora negra Karen Santos (PSOL) rebateu: "Valter Nagelstein está em crise de choro pelo resultado da eleição. Não sabe perder". Para a vereadora Laura Sito (PT). a declaração reflete "o ódio da elite" brasileira. "Ele vai ser cobrado por isso, acabou o tempo em que os racistas tinham folga em POA (Porto Alegre)", acrescentou Gomes.

Depois da repercussão, Nagelstein divulgou no Twitter: "Evidentemente que não há preconceito algum na minha fala, há um diagnóstico: 1) de que um discurso encontrou eco nas urnas. 2) Que muitos eleitos têm pouca qualificação formal. Só isso".

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Estadão
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