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Moro promete divulgar quanto recebeu de consultoria em live com líder do MBL

Ganhos de Moro na iniciativa privada entraram na mira do Tribunal de Contas da União; Para Kim Kataguiri, que participará da live, 'pressão para divulgar o salário é 100% política'

27 jan 2022 21h42
| atualizado às 22h50
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BRASÍLIA - O presidenciável do Podemos, Sérgio Moro, fará uma live nesta sexta-feira, 28, ao lado do deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) na qual deve divulgar quanto recebeu pelo trabalho na consultoria Alvarez & Marsal. Os ganhos de Moro na iniciativa privada entraram na mira do Tribunal de Contas da União (TCU). "Participar da live faz parte da aliança. A pressão para divulgar o salário é 100% política, já que o próprio MPF já arquivou a investigação", disse Kataguiri ao Estadão/Broadcast. O deputado já anunciou que vai migrar do DEM para a sigla do ex-juiz na janela partidária.

Além de revelar o salário, o ex-ministro da Justiça também deverá mostrar o contrato com a empresa americana. Não haverá perguntas do público.

Em adesão à pré-candidatura de Moro, expoentes do MBL como o deputado estadual Arthur do Val e o vereador de São Paulo Rubinho Nunes se filiaram ao Podemos nesta quarta-feira, 26. "Nossa ajuda será principalmente nos eventos conjuntos com a campanha do Arthur em SP e em conselhos e divulgação de publicações em redes sociais", disse Kataguiri, numa referência à candidatura de Arthur do Val ao Governo de São Paulo.

Na visão do parlamentar, a possível ida de Moro para o União Brasil, partido que resultará da fusão entre PSL e DEM, pode impulsionar a candidatura do ex-juiz porque aumentaria o tempo de propaganda na TV. Em entrevista ao Papo com Editor, do Broadcast Político, Moro confirmou as conversas com o União Brasil. "Acho que, quando ficar claro para o eleitorado do Bolsonaro que ele perde pro Lula, Moro tem uma grande chance de crescer", defendeu Kataguiri.

Moro tem sido pressionado a divulgar informações sobre sua atuação na Alvarez & Marsal. Ele foi contratado pela empresa após pedir demissão do Ministério da Justiça, em 2020, quando acusou o presidente Jair Bolsonaro de uma suposta tentativa de interferência na Polícia Federal. A A&M fornece serviços de consultoria, aprimoramento de desempenho de negócios e gestão de recuperação. A empresa atua, por exemplo, no processo da Odebrecht, um dos principais alvos da Lava Jato.

O ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União, determinou que a Alvarez & Marsal apresentasse os documentos ligados à saída de Moro da empresa em outubro. Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, 24, a consultoria afirmou que o contrato com o ex-ministro foi "expresso" em impedi-lo de atuar com clientes ligados à Lava Jato. O pré-candidato, por sua vez, disse que o processo do TCU é um "abuso" e está "cheio de ilegalidades".

Já a Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) defenderam, em nota, a atuação de Bruno Dantas ao afirmarem que o ministro do TCU age "de forma transparente e no contexto do devido processo legal".

Diante do acirramento da disputa eleitoral, o PT chegou a considerar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara para investigar suposto "conflito de interesse" de Moro no trabalho realizado na Alvarez & Marsal. No entanto, o partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também concorrerá ao Palácio do Planalto, recuou e decidiu esperar o processo no TCU.

Partidos aliados a Bolsonaro, que tentará se reeleger neste ano, chegaram a avaliar se apoiariam a ofensiva petista. Parlamentares disseram que, se as legendas do Centrão se juntassem à esquerda na coleta de assinaturas, a CPI poderia ser aberta. O caráter eleitoreiro que a comissão poderia adquirir, contudo, foi visto com ressalvas no Congresso. O calendário apertado, justamente por causa das eleições de outubro, também poderia dificultar a articulação.

Em caráter reservado, um deputado de um partido de centro-direita afirmou que a abertura da CPI seria um erro político. "Acho que é dar uma importância eleitoral que o Moro não tem. O caminho é acompanhar as ações do TCU porque realmente a relação dele com essa empresa é muito suspeita e merece ser investigada", disse o parlamentar.

Estadão
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