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Ministros de Bolsonaro encontram Russomanno em horário de expediente

Agendas das autoridades não exibem nenhum compromisso oficial para esta segunda-feira

19 out 2020
22h56
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Dois integrantes do alto escalão da administração federal de Jair Bolsonaro - o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o Secretário Especial de Comunicação Social, Fabio Wajngarten - se encontraram com o deputado federal Celso Russomanno (Republicanos), candidato à Prefeitura de São Paulo, na tarde desta segunda-feira. A campanha do parlamentar nas eleições 2020 conta com apoio presidencial.

O encontro ocorreu em uma produtora de vídeos no bairro da Barra Funda onde o candidato grava o seu programa eleitoral e não constava na agenda oficial de nem de Salles e nem de Wajngarten. A página de ambos informa que não há nenhum compromisso oficial.

De acordo com Salles, ele estava lá para tratar da despoluição do Rio Pinheiros e que o tema é de relevância para o governo federal. "É um programa importante, fundamental, que merece o apoio do governo federal. A Prefeitura terá que ter um papel importante nisso, junto com os governos federal e estadual", afirmou.

Questionado por dois repórteres que estavam no local sobre se ele não estaria priorizando a campanha do candidato Bolsonarista, Salles afirmou que conversa com pessoas de todos os lados do espectro político. "Eu estou na minha agenda de governo, eu converso com gente de todos os espectros. É que é uma questão de importância ambiental", afirmou.

Mais tarde, Salles postou em seu perfil no Twitter a informação de que se reuniu para tratar da pauta ambiental com outro candidato na mesma disputa: Andrea Matarazzo (PSD), que é de um postulante de direita, assim como Russomanno. A assessoria de imprensa de Matarazzo confirmou que houve o encontro na semana passada. Esse encontro também não consta na agenda oficial do ministro.

A despoluição do Rio Pinheiros é uma das pautas do governador do Estado João Doria (PSDB), oponente político de Bolsonaro. Em setembro, o governo anunciou, em seu Twitter, um investimento de R$ 70 milhões no programa Novo Rio Pinheiros, com a finalidade de melhorar a rede de esgoto, beneficiando 58 mil famílias. "(O programa) Tem como objetivo a construção e a infraestrutura da coleta de esgotos que são despejados nos afluentes do Rio Pinheiros", informou Nelson Souza, presidente da Desenvolve SP - a agência de fomento do Governo do Estado de São Paulo - em vídeo no Twitter, em 14 de setembro.

No mesmo dia, o governo anunciou no mesmo perfil que havia retirado 12 mil toneladas de resíduos do rio e que havia feito mais de 35 mil ligações de imóveis da região à rede de esgoto.

Candidato não se licenciou

De acordo com o site da Câmara dos Deputados, Russomanno nunca se licenciou de nenhum de seus mandatos de deputado, inclusive quando esteve em campanha para tentar se eleger prefeito de São Paulo nos anos de 2012, 2014 e 2020. Quando um congressista se licencia, o site da Câmara informa a licença, o mandato em que ela ocorreu, a data de saída e a data de retorno. Nenhum dado do tipo aparece na biografia do candidato. A legislação permite que parlamentares façam campanha para outros cargos eletivos sem a necessidade de renunciar o se licenciar do cargo.

No entanto, Russomanno tem repetido que está "afastado" das suas atividades parlamentares. "A questão é que eu estou afastado para a minha campanha e eu estou me dedicando a ela", afirmou na semana passada, ao justificar por que motivo não iria comentar a operação da Polícia Federal que encontrou dinheiro na cueca do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), na última quarta-feira, dia 14.

O regimento interno da Câmara prevê suspensão da remuneração em caso de licença para tratar de "interesse particular". Nesse caso, um suplente seria convocado e poderia fazer trocas na equipe do gabinete de Russomanno. Quando não há licença, o deputado só tem corte de salário se se ausentar apenas de sessões deliberativas do Plenário, não havendo desconto pela falta em outras atividades ou nos dias em que não há sessão. As ausências são descontadas tanto quando a falta não é justificada ou quando a justificativa é algo que não missão oficial no exterior, doença comprovada por atestado, licença-maternidade, licença-paternidade, ou doença grave ou morte de um familiar próximo.

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Estadão
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