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Tuiteira acusa agência de publicidade irregular para o PT

Resolução do TSE veda campanha disfarçada na internet; postagens a favor do governador do Piauí viram piada

26 ago 2018
23h42
atualizado em 27/8/2018 às 08h55
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SÃO PAULO - O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), candidato ao quarto mandato nas eleições 2018, foi parar neste domingo, 26, nos Trending Topics do Twitter. Diante de uma série de posts nas redes sociais exaltando a sua gestão, internautas passaram a acusá-lo de pagar uma agência de "influenciadores digitais", para divulgar mensagens positivas a seu respeito. A prática seria ilegal e configuraria propaganda irregular.

Segundo resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), "é vedada a veiculação de qualquer tipo de propaganda eleitoral paga na internet, excetuado o impulsionamento de conteúdos, desde que identificado como tal e contratado exclusivamente por partidos, coligações e candidatos e seus representantes". O desrespeito à regra pode levar à imposição de multa de até R$ 30 mil.

O governador do Piauí, Wellington Dias
O governador do Piauí, Wellington Dias
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

O caso, chamado de #piauigate, transformou Dias e o Piauí em alvos de memes. Internautas que teriam sido contratados pela agência disseram que a ação em favor de Dias era a "ponta do iceberg" e envolveria outros políticos do PT e pautas de interesse do partido.

A ação foi denunciada pela influenciadora digital Paula Holanda. Ela disse em seu Twitter que foi procurada por uma representante de uma agência de marketing digital, a Lajoy. Paula publicou suposto briefing em que uma pessoa chamada Isabella Bomtempo, da agência, convidou-a para participar de ação "de militância política para a esquerda" e não de cunho partidário. No trecho divulgado por Paula não havia menção a pagamentos. Ela aceitou participar.

"A primeira pauta foi sobre a Gleisi Hoffmann. Acompanhei o caso dela e ele ilustra bem a perseguição partidária, bem como a prisão do Lula, que foi, sim, de cunho político. Me pareceu uma pauta muito justa, então eu fiz o tuíte sem resistência."

Em outro tuíte, ela disse: "A segunda pauta foi sobre o Luiz Marinho. Parte da minha família mora em São Paulo, então a agenda paulista me interessa.". Mas, na terceira vez, Paula desconfiou que o cliente seria o PT e a ação seria dissimulada e se recusou. "Minha desconfiança explodiu hoje, na terceira pauta, sobre o governador petista do Piauí, Wellington Dias."

A partir da denúncia, postagens de outros influenciadores digitais foram expostas nas redes - vários deles com comentários elogiosos a Dias. Imediatamente, as postagens se transformaram em motivo de piada - principalmente pelo fato de muitos deles nunca terem visitado o Piauí.

Um influenciador digital, que pediu para não se identificar, recebeu uma mensagem parecida com a de Paula. Mas, neste caso, a agência deixava claro que a ação era pró-PT e haveria pagamento de "R$1.500 por mês por entrega de um conteúdo por dia".

A campanha de Dias negou ser responsável pela ação. "As postagens são espontâneas. Não conhecemos a empresa responsável nem fomos informados ou sondados sobre a tal ação". O PT nacional e agência Lajoy não responderam a contato.

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Estadão
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