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Em visita ao Bope, Bolsonaro diz que 'quem vai mandar no Brasil são os capitães'

Candidato diz a militares que classe 'terá um dos nossos' em Brasília e que polícia de elite será substituída por drones nos morros do Rio

15 out 2018
14h17
atualizado às 23h05
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O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, fez nesta segunda-feira, 15, campanha na sede do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro, na zona sul da cidade. Segundo um assessor do presidenciável, foi uma "visita a amigos". Bolsonaro cumprimentou e tirou fotos com policiais militares e, em seu discurso, afirmou que a classe militar "terá um dos nossos" em Brasília, caso seja eleito.

Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, durante visita ao BOPE
Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência, durante visita ao BOPE
Foto: Twitter / Estadão

A visita durou cerca de duas horas. Bolsonaro falou do desempenho de seu partido, que conquistou 52 cadeiras na Câmara dos Deputados, só menor do que a do PT.

"Fizemos a segunda maior bancada em Brasília, sem televisão. Isso vem de gente como vocês. Então, a gente tem de acreditar e tentar mudar, buscar fazer a coisa certa. Eu acho que isso é possível, afinal de contas não temos outro caminho", afirmou. Ele encerrou o discurso a praças e oficiais com o grito de guerra dos integrantes do batalhão ("Caveira!").

Bolsonaro, que não deu entrevistas, ainda brincou com um coronel que foi cumprimentá-lo. "Tô dando continência pro coronel, mas quem vai mandar no Brasil serão os capitães", disse, fazendo referência a sua patente como militar.

O candidato disse também que, se depender dele, o Bope será aposentado e "quem vai subir morro vai ser um pelotão de drones". O presidenciável discorreu sobre as dificuldades enfrentadas pelos policiais durante as operações, que muitas vezes acabam com PMs ou suspeitos mortos.

"Outro dia eu fiz até uma... não é uma brincadeira, é coisa séria, e falei 'no que depender de mim, vou aposentar o Bope. Quem vai subir morro vai ser pelotão de drones', tá ok? É uma realidade", afirmou. "Nós temos que preservar a vida humana das pessoas de bem. E vocês são as pessoas de bem", continuou. "O que acontece no tocante à criminalidade aqui no Rio não acontece em lugar nenhum no mundo."

Antes de deixar a sede do Bope, ele almoçou com o batalhão.

Ato pode suscitar contentações na Justiça Eleitoral

O ato eleitoral em um batalhão pode suscitar contestações na Justiça Eleitoral. A Lei das Eleições (n.º 9.504/97) proíbe o uso, em benefício de candidato, partido político ou coligação, de bens móveis ou imóveis pertencentes à administração direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos territórios e dos municípios, ressalvada a realização de convenção partidária.

A norma é detalhada no Artigo 73 da lei, que trata das condutas vedadas por agentes públicos, servidores ou não, tendentes a afetar a igualdade de oportunidades entre candidatos nos pleitos eleitorais.

O advogado Francisco Emerenciano, especialista em Direito Eleitoral, explica que o ato só pode resultar em alguma punição para o candidato depois que for analisado pela Justiça.

"O fato de ele participar deste evento, por si só, não resulta em penalidade. Só depois de demonstrada a gravidade do ato, ou se ele gerou algum prejuízo ou influência no resultado no pleito, que a Justiça vai analisar. Esta avaliação não é automática, a gravidade é subjetiva", disse. O fato pode gerar de multa até cassação do registro.

Estadão
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