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Em debate virtual, candidatos de SP trocam ataques e ofensas

Sem Covas e Russomanno, encontro promovido por entidades estudantis teve xingamentos e falhas técnicas

29 out 2020
21h35
atualizado às 21h37
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Um debate virtual entre candidatos à Prefeitura de São Paulo nas eleições 2020 foi marcado por ataques e ofensas entre vários concorrentes. Organizado por entidades estudantis, o programa teve participação de Guilherme Boulos (PSOL), Márcio França (PSB), Jilmar Tatto (PT), Arthur do Val (Patriota), Joice Hasselmann (PSL), Marina Helou (Rede) e Vera Lúcia (PSTU). O candidato do PCdoB, Orlando Silva, teve uma participações no início e no final do debate mas se desconectou.

Os demais concorrentes, como Bruno Covas (PSDB) e Celso Russomanno (Republicanos), não participaram. Segundo alguns participantes, o evento foi convocado com pouca antecedência, e não constava na agenda oficial dos candidatos. Arthur do Val, o "Mamãe Falei", protagonizou a maior parte do bate-boca do debate, especialmente com Tatto e Boulos. Ele voltou a acusar o candidato do PT de ligação com criminosos, como ocorreu também em um debate na ConecTV.

"Quem conhece a zona sul de São paulo sabe que a família Tatto domina uma grande região, que é conhecida informalmente como Tattolândia", disse Arthur do Val. "Lá tem o pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de São Paulo e coincidentemente, é só uma coincidência, é o local de maior atuação do crime organizado."

O debate virtual entre candidatos à Prefeitura de São Paulo, organizado por entidades estudantis
O debate virtual entre candidatos à Prefeitura de São Paulo, organizado por entidades estudantis
Foto: Reprodução / Estadão Conteúdo

Ele ainda perguntou sobre as ligações de Tatto com um criminoso chamado "Pandora", que Arthur alegou ter ligações com máfias de perueiros na região. A fala de um debate anterior já é alvo de um pedido do Ministério Público Eleitoral de São Paulo para investigar Mamãe Falei.

Tatto respondeu com ataques à qualificação de Do Val, xingou o candidato de "babaca", e disse que a insinuação é mentirosa. "Deputado vagal, deputado que não faz nada, quem vai te investigar é a Polícia Federal", disse o candidato do PT. "Você é picareta, você é moleque, você não conhece o meu trabalho."

Boulos, o mais bem colocado entre os participantes nas pesquisas de intenção de voto, foi um dos mais visados. Ele entrou em colisão com Joice Hasselmann, Arthur do Val e Márcio França. Do Val disse que ia "desmascarar" dados que o candidato do PSOL apresentou sobre o Orçamento municipal. Em seguida, Boulos disse que ele iria ganhar um "troféu fake news".

O candidato do PSOL questionou Márcio França sobre sua aliança com governos do PSDB. "É esse tipo de experiência que você vai levar para a Prefeitura?", perguntou Boulos. Em resposta, ouviu que a vice de sua chapa, Luíza Erundina, já apoiou o candidato do PSB como líder no Congresso. À época, ambos eram do mesmo partido.

"As companhias que eu tenho você também tem", disse França sobre Erundina. "Eu não questiono você ser candidato, pelo contrário, até incentivo. Eu só acho que você podia exercer outras funções também, poderia passar por outras oportunidades, outros cargos, não te sinto preparado para exercer essa função", disse Márcio França.

A candidata do PSL, Joice Hasselmann, discutiu questões de segurança pública e impostos com o candidato do PSOL. Ela acusou o candidato do PSOL de se apropriar da pauta do auxílio emergencial, que ela votou como deputada na Câmara de Deputados, e criticou sua atuação no Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

"Eu acho muito fofo o Guilherme Boulos vir aqui e falar desse jeito paz e amor, tão bonitinho. Alguém que estimula invasão de propriedades", disse Joice.

"Você, Joice, saiu do gabinete do ódio, mas o gabinete do ódio não saiu de você, eu acho impressionante", disse Boulos.

Vera Lúcia (PSTU) atacou Arthur do Val pelo apoio do candidato ao presidente Jair Bolsonaro na campanha de 2018. "Uma pessoa que apoia umm governo do tipo de Bolsonaro jamais poderia governar São Paulo para as mulheres, os negros, a classe LGBT e a classe trabalhadora", disse. Mamãe Falei fez piadas sobre o plano de governo de Vera.

Alheia às brigas entre os colegas, a candidata da Rede, Marina Helou, lamentou que a reunião virtual não foi mais propositiva. "Sinto muito por esse debate ue, até agora, foi muito mais marcado por ataques e ofensas do que debate de ideias

Falhas técnicas

O debate teve alguns problemas técnicos, com alguns candidatos que tiveram dificuldade para se conectar, microfones abertos que interroperam a fala de colegas e vários momentos em que o áudio estava desligado. Orlando Silva foi sorteado para fazer uma réplica a uma fala da candidata Joice Hasselmann, mas tinha acabado de se conectar e não escutou que era sua vez de falar.

"Vou mandar um WhatsApp para ele ficar esperto", disse Joice. Orlando acabou perdendo a vez, e não conseguiu retornar durante a maior parte do debate. Ele atribuiu o problema a um "ruído de comunicação" com os organizadores do debate. Orlando retornou para suas considerações finais e ressaltou sua plataforma focada em geração de emprego e renda na periferia da cidade.

Em sua apresentação inicial, ele também alfinetou o candidato do PSOL por não ter participado de debates anteriores. "Feliz em ver o meu colega Guilherme Boulos, ele que é uma figura tão presente na vida da nossa cidade", disse Orlando. "Talvez a minha maior frustração nestas eleições seja não fazer mais debates."

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