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Eleitores de Bolsonaro contra o 'mimimi'

Apoiadores rejeitam o rótulo de 'fascistas'

13 out 2018
17h38
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A gerente de recursos humanos Priscila Wilbert, de 39 anos, diz ter colocado o Facebook no "modo soneca para não ler comentários desagradáveis de eleitores do PT". Ela também saiu de grupos de WhatsApp sobre comunicação não violenta e veganismo por ter sido chamada de racista. Agora, Priscila conta que 90% dos seus amigos e conhecidos votam em Jair Bolsonaro e que não perde tempo em conversar "com quem não quer escutar e é xiita".

A reportagem do Estado encontrou Priscila e outros três eleitores de Jair Bolsonaro (PSL): o empresário Rogério Wilbert, de 49 anos, marido de Priscila; o analista de sistema Vinícius Souza Diamantino, de 21; e o gerente de projetos Luciano Ramos Junior, de 39. A conversa aconteceu em um lugar definido por eles: a praça de alimentação de um shopping center de São Paulo.

Os amigos bolsonaristas dizem que o apoio ao candidato do PSL é um voto contra corrupção, valores distorcidos e o socialismo representado pelo PT. O medo de uma "venezuelização" do Brasil também está presente - assim como um senso de patriotismo.

"Quero que a minha filha aprenda a cantar o Hino Nacional na escola como eu aprendi", comentou Priscila.

Nada tem irritado mais Luciano Ramos do que ser chamado de fascista por eleitores de Haddad. "Quando falam que a gente é fascista, está na cara que não estudaram, não sabem o que estão falando e (nem) sequer sabem o que é o fascismo", disse.

A questão religiosa também parece importante para o grupo de bolsonaristas. Vinicius Souza Diamantino conta que, como cristão evangélico, não pode se omitir - principalmente "pelo apoio à ideologia de gênero" que o PT representa. Segundo eles, o que existe contra Bolsonaro é "mimimi". "Eu sofro preconceito por ser liberal, quase branco, casado com uma mulher, cristão... Minha mulher ganha mais do que eu, e eu acho fantástico", afirmou Ramos.

Para o grupo, as polêmicas em que o capitão reformado se envolve são "turbinadas" pelos opositores. "São coisas que meu pai falaria e que todo mundo ri. Não tem nada demais", disse.

Estadão
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