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Eleições 2020 no RJ: veja quem são os cotados para disputar a prefeitura carioca

Mal avaliado, Crivella (PRB) tentará a reeleição; o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) e o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) despontam como fortes candidatos

4 out 2019
05h11
atualizado em 6/3/2020 às 16h10
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RIO - A sete meses do primeiro turno das eleições municipais de 2020, pelo menos doze possíveis pré-candidatos se articulam para disputar a prefeitura do Rio em um quadro de possível nacionalização da disputa. Haverá pelo menos três concorrentes fortes na cidade, berço político do presidente Jair Bolsonaro e quartel-general de outro possível presidenciável em 2022, o governador Wilson Witzel (PSC). A possível briga entre concorrentes com apoio de presidenciáveis, no segundo maior colégio eleitoral municipal do País, fortalece a tendência de campanha marcada por temas nacionais, ao lado de assuntos locais.

Em busca da reeleição, o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) conta com a máquina pública e o bom trânsito entre evangélicos - é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus - para tentar se viabilizar. Tem tentado se aproximar de Bolsonaro, o que poderia lhe dar chance como candidato da direita radical. O presidente, porém, tem evitado um compromisso que possa lhe custar votos em 2022. A gestão Crivella teve 72% de ruim e péssimo no Datafolha em dezembro. Por isso, o prefeito deverá recorrer ao discurso ideológico e a temas de costumes, como quando mandou recolher livros com conteúdo LGBT na Bienal do Livro, para se fortalecer.

Pela esquerda, o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) tentará chegar ao Executivo carioca pela terceira vez. Em 2016, perdeu para Crivella no segundo turno. Desta vez, contudo, o psolista deve vir com nova roupagem. Além de ter agora um mandato federal, ele tem defendido a formação de uma grande aliança em torno de sua candidatura. O movimento incluiria tanto legendas de esquerda quanto algumas mais ao centro, como o PV e a Rede de Marina Silva. Essa frente, porém, não deverá se viabilizar, pelo menos não na amplitude inicialmente ambicionada pelo partido.

O PDT, que pretende lançar a deputada estadual Martha Rocha, e o PSB, cujo postulante é o deputado federal Alessandro Molon, tendem a manter as suas postulações. Nos últimos dias, porém, cresceu a possibilidade de o PT apoiar Freixo. Em baixa no Rio de Janeiro desde que se aliou a Anthony Garotinho (então no PDT), no início dos anos 2000, o petismo tende a indicar Benedita da Silva como vice de Freixo. Evangélica, Benedita poderia ajudaria o psolista a vencer resistências entre eleitores desse público, decisivo em 2018. Mas mesmo no PSOL a aliança é questionada, sobretudo por setores que rejeitam a acusação de "puxadinho do PT".

Ao centro, o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) é um nome forte, que tende a ir ao segundo turno, avaliam adversários. Por essa ótica, Paes poderia adotar um discurso de combate à polarização, jogando Crivella para um lado ultraconservador e pintando Freixo como um esquerdista radical. Além disso, pegaria embalo na má avaliada gestão Crivella para despertar no eleitor o fator "saudade". Até o momento, no entanto, Paes trabalha pela eleição sem assumir oficialmente a candidatura. Há ainda um fator de difícil avaliação: a Lava Jato. Paes foi aliado do ex-governador Sérgio Cabral Filho, que está preso, e ainda há processos tramitando.

Um mistério que ainda ronda a eleição é: quem será apoiado por Wilson Witzel? O governador, que está em baixa com antigos aliados do PSL, ainda não tem um candidato claro. Já acenou para Paes e, mais recentemente, aproximou-se do governador de São Paulo, João Doria (PSDB). O tucano paulista declarou apoio a Gustavo Bebianno, ex-secretário-geral da Presidência no início do governo Bolsonaro, com quem rompeu. Tenta conseguir que Witzel faça o mesmo. O governador do Rio, porém, poderá apoiar um nome do mundo jurídico, a juíza Gloria Heloiza. Oficialmente, porém, não há nenhuma definição.

Relevante na eleição de 2018 no Rio, o PSL enfrenta problemas internos para se definir. Apesar de alguns nomes serem cotados, crescem as chances de a sigla não ter candidato próprio. Há ainda o processo de criação do Aliança pelo Brasil, legenda lançada por Jair Bolsonaro que ainda recolhe assinaturas para se registrar. É improvável que o Aliança consiga se viabilizar para 2020.

Veja abaixo os nomes que podem concorrer à Prefeitura do Rio:

Marcelo Crivella (PRB)

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, anunciou o pagamento do 13º dos funcionários
O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, anunciou o pagamento do 13º dos funcionários
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil / Estadão

Bispo licenciado da Igreja Universal, prefeito Marcelo Crivella assumiu a cidade em contexto de ressaca dos grandes eventos. Sua gestão descreveu uma curva decrescente de popularidade: 40% de ruim e péssimo em outubro de 2017, 61% em março de 2018 e 72% em dezembro de 2019.

Nos últimos meses, porém, de olho em 2020, Crivella tem articulado nos bastidores para chegar forte à disputa pela reeleição. Usou o episódio da Bienal do Livro, considerado censura pelo Supremo Tribunal Federal (STF), para aparecer no noticiário e reforçar um posicionamento conservador.

Marcelo Freixo (PSOL)

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O deputado federal Marcelo Freixo tem recall (memória de voto) grande das últimas eleições. Por outro lado, tem como desafio driblar a rejeição, que foi decisiva para ele perder o segundo turno em 2016.

No momento, Freixo trabalha para construir o que chama de uma frente em torno de sua candidatura. A aliança não deverá ser tão ampla quanto o planejado, mas o possível apoio do PT, com a candidatura de Benedita da Silva a vice, lhe daria tempo de rádio e televisão e penetração entre evangélicos.

Durante os governos de Sérgio Cabral Filho (MDB) no Estado, e de Paes (atualmente no DEM), na Prefeitura, o PSOL foi o único partido de esquerda que em nenhum momento compôs as bases aliadas ou ocupou cargos nas gestões. Com isso, a legenda, que é pequena nacionalmente, construiu no Rio sua principal trincheira.

Eduardo Paes (DEM)

Há um consenso entre todos os prefeitáveis do Rio: se Eduardo Paes entrar na disputa, despontará como o candidato a ser batido. O ex-prefeito, porém, ainda vai demorar um pouco a se declarar candidato. Paes vem articulando discretamente. Uma aproximação com o governador Wilson Witzel, que o derrotou na eleição para governador no ano passado, chegou a ocorrer. Mas a tendência é que haja uma chapa mais ao centro, unindo DEM e partidos menores.

Os aliados de outros partidos, contudo, são receosos quando questionados se apoiarão Paes. Todos reconhecem a força política do ex-prefeito, que poderia confrontar Crivella com dados efetivos de sua gestão, que se deu num período em que o Rio passou por grandes obras e mudanças urbanísticas. "Vamos caminhar juntos em algum momento", avalia um deles.

Apesar de derrotado por Witzel na eleição para governador no ano passado, Paes venceu na capital. O resultado eleitoral do ex-prefeito do Rio o Estado foi ruim na periferia da Região Metropolitana e no interior do Estado, que votaram maciçamente no hoje governador.

Rodrigo Amorim (PSL)

O deputado estadual Rodrigo Amorim
O deputado estadual Rodrigo Amorim
Foto: Reprodução/Instagram / Estadão

Conhecido como o deputado estadual que quebrou uma placa com o nome da vereadora assassinada Marielle Franco na eleição do ano passado, Rodrigo Amorim chegou a ser apresentado oficialmente como pré-candidato do PSL no Rio. Sua aproximação do governo Witzel, porém, o afastou dos Bolsonaros e também do Aliança pelo Brasil - partido que ainda não existe. O partido também passa por um momento de indefinição.

Gustavo Bebianno (PSDB)

Dissidente do bolsonarismo, Gustavo Bebianno foi escolhido pelo PSDB como pré-candidato do partido à prefeitura do Rio do Janeiro. A indicação de seu nome foi feita pelo empresário Paulo Marinho que, assim como ele, foi aliado de Bolsonaro, mas rompeu com o presidente. Bebianno foi o primeiro ministro a perder o cargo no governo Bolsonaro. Ele deixou a Secretaria-Geral da Presidência após desentendimentos com a família do presidente, contra quem tem assumido um discurso duro, com ataques ao presidente e a seu governo.

Marcelo Calero (Cidadania)

Ex-ministro da Cultura, o deputado federal Marcelo Calero (Cidadania) é apresentado pelo partido como pré-candidato. Calero é muito próximo ao apresentador Luciano Huck e faz parte do grupo que mantém contatos frequentes com ele a fim de criar um projeto presidencial para 2022.

Calero está entre os que poderiam abrir mão da candidatura a depender de como será construída a aliança em torno de Eduardo Paes. Em evento do PSDB no final de setembro, chamou Paes de "o melhor prefeito que essa cidade já teve".

Martha Rocha (PDT)

A delegada Martha Rocha (PDT)
A delegada Martha Rocha (PDT)
Foto: José Cruz/Agência Brasil / Estadão

Deputada estadual por um partido que tem história no Rio de Janeiro, o PDT, Martha Rocha conta ainda com outro ativo: é delegada da Polícia Civil e chegou a presidir a corporação. Ela já chegou a ser apontada como "vice dos sonhos" de Marcelo Freixo, mas reafirma sua candidatura sempre que lhe perguntam a respeito.

A deputada estadual é próxima a outro nome da centro-esquerda carioca que resiste em aceitar a ideia de que todos os progressistas devem se unir em torno de Freixo: o deputado federal Alessandro Molon, do PSB, com quem mantém conversas.

Alessandro Molon (PSB)

Candidato à Prefeitura duas vezes em condições adversas, em 2008 e 2016, Alessandro Molon é cotado pelo PSB para concorrer de novo no ano que vem. Terceiro deputado federal mais votado do Rio no ano passado, o parlamentar tem votações crescentes para o cargo, mas ainda não empolgou o eleitorado em disputas para o Executivo.

Junto com Martha Rocha e seus partidos, tenta viabilizar uma alternativa à candidatura de Freixo dentro do campo progressista.

Paulo Messina (PRTB)

Ex-braço direito de Marcelo Crivella, de quem foi secretário da Casa Civil, o vereador Paulo Messina, que está no terceiro mandato, rompeu com o prefeito e tem manifestado o desejo de concorrer ao Executivo carioca.

Hugo Leal (PSD)

Presidente no Rio do PSD de Gilberto Kassab, o deputado federal Hugo Leal foi recentemente lançado como pré-candidato. Tem o apoio do próprio Kassab e do senador Arolde de Oliveira.

Fred Luz (Novo)

Ex-CEO do Flamengo, Fred Luz trabalhou na campanha do presidenciável João Amoedo (Novo) em 2018 e agora deve se candidatar a prefeito pela legenda.

Clarissa Garotinho (PROS)

Filha dos ex-governadores Rosinha e Anthony Garotinho, a deputada federal Clarissa Garotinho se apresenta como pré-candidata à Prefeitura do Rio, apesar de o reduto da família ser em Campos dos Goytacazes, no norte do Estado.

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Estadão
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