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Datena: Bolsonaro é principal influenciador em SP, não Doria

Após encontro do qual participou Skaf, jornalista diz que presidente tem mais peso na eleição da capital que Doria

12 out 2019
05h11
atualizado às 10h34
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Considerado opção pelo clã Bolsonaro para a disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2020, o apresentador José Luiz Datena disse ao Estado que se tiver, de fato, o apoio de Jair Bolsonaro, será candidato pelo partido que o presidente escolher. Em crise com o PSL, Bolsonaro avalia deixar a legenda. Já Datena afirmou que se desfiliou do DEM neste ano. Nesta sexta-feira, 11, Bolsonaro divulgou uma foto em uma rede social ao lado do apresentador e do presidente da Fiesp, Paulo Skaf. "Ontem (quinta, 10) estive com os velhos conhecidos Datena e Paulo Skaf", escreveu. 

Foto: Paulo Lopes / Futura Press

Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

O sr. será candidato em 2020?

Já falei com quase todos os partidos ou que têm candidatos ou que vão querer compor com alguém para ser vice. Falei com todo mundo porque fui convidado para falar com essas pessoas. Mas estou ouvindo. Estou como autêntico espectador. O presidente (Jair Bolsonaro) acha que tenho potencial para ser candidato a prefeito. Falei que não é o momento certo para falar isso agora e, quando for, que é até março, tenho que tomar uma decisão. Porque, se eu sair candidato, desta vez tenho que sair mesmo. 

Desta vez a candidatura sai? 

Olha, as duas vezes que me apresentei como pré-candidato eu não vi com bons olhos os caminhos que estavam tomando as campanhas. Não deixei de ser candidato, fui só pré-candidato. Mas os acontecimentos que se sucederam não me agradaram. Tenho vontade de fazer política, mas para ajudar quem votou em mim. E não vi nem na primeira nem na segunda vez (que se colocou como pré-candidato) chance de ajudar essas pessoas. Com quem eu estava, eram pessoas que estavam mais interessadas em conquistar e manter o poder. Mas eu quero participar. Não quero ser joguete na mão de ninguém. Estou pensando com bastante calma, porque, se dessa vez eu sair para qualquer coisa, vereador, prefeito ou vice-prefeito, vou até o fim. É candidatura sem retorno. Falei isso para o presidente. Estou analisando e, se eu sair, eu saio realmente candidato a prefeito.  

É a primeira vez que o sr. recebe um apoio explícito de um presidente da República no cargo?

No cargo, sim. É um apoio significativo. Na última pesquisa XP/Ipespe que saiu, ele continua sendo o principal influenciador da eleição em São Paulo. Não é o João Doria.

O sr. está sem partido? 

Graças a Deus. Saí do DEM neste ano, mas, recentemente, recebi uma ligação de (Rodrigo) Maia para conversar quando ele voltar de Roma. Se pudesse ser candidato sem partido, eu seria. 

E se não puder, para qual partido o sr. iria?

A questão ideológica no Brasil ficou relegada ao segundo plano. Tem gente ruim e gente boa em todos os partidos. Isso depende de que apoio eu teria. Se optar pelo presidente, seria o partido que o presidente optar. Se optar pelo Márcio França (PSB), seria o partido dele. Se optar pelo partido da Igreja Universal do Reino de Deus, será o partido da igreja. 

Nesta semana, Bolsonaro deu sinais de que pode deixar o PSL. O sr. iria para o partido dele? 

Se sair apoiado pelo Bolsonaro, saio (candidato) pelo partido que ele for. Claro que sim. Mas não seria afinidade partidária. 

O sr. é apresentador de um programa de TV focado na segurança pública, principal área defendida por Bolsonaro... 

Eu não aguento mais fazer programa policial. É um programa que tenho que apresentar, mas o início de minha carreira foi no esporte. 

Mas o sr. concorda com as propostas dele nessa área, como a liberação do porte de armas?

Não vou discutir o que o presidente acha, mas o porte... Não adianta o cara andar com arma na rua. A maioria não vai saber se defender. É claro que não concordo com tudo o que o presidente diz. Nem ele com o que eu digo. Mas, particularmente, acho ele uma boa pessoa, um cara bem-intencionado, legal, e espero que ele dê certo.

Estadão
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