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Coligação de Haddad pede que visita ao Bope de Bolsonaro seja investigada

Pedidos serão analisados pelo vice-procurador-geral eleitoral, Humberto Jacques, que atua no Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

16 out 2018
19h56
atualizado em 17/10/2018 às 14h59
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BRASÍLIA - A coligação "O povo feliz de novo" (PT/PCdoB/PROS), do candidato Fernando Haddad (PT), pediu nesta terça-feira, 16, ao vice-procurador-geral eleitoral, Humberto Jacques, que sejam investigados o uso das instalações do Bope pelo candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, e o papel da empresa AM4 Informática na elaboração da estratégia digital da campanha do adversário. A coligação de Fernando Haddad acusa o adversário de utilizar o espaço público para a veiculação de propaganda eleitoral, o que violaria o Código Eleitoral.

A campanha de Bolsonaro encaminhou nota atribuída à AM4 Informática em que afirma receber "com repúdio e indignação a notícia sobre o pedido de investigação". "O pedido não aponta - por inexistir - qualquer fato concreto, baseando-se apenas no expressivo número de seguidores do candidato à Presidência Jair Bolsonaro no Instagram e Facebook, como se, supostamente, tivessem origem em informações falsas."

Em visita ao Bope, Bolsonaro disse que 'quem vai mandar no Brasil são os capitães'
Em visita ao Bope, Bolsonaro disse que 'quem vai mandar no Brasil são os capitães'
Foto: Twitter/Jair Bolsonaro / Estadão

A nota diz que a empresa tomará medidas contra o que chama de "denunciação caluniosa". "A AM4 reitera que nega veemente as acusações irresponsáveis, que, aliás, foram baseadas em apenas uma única reportagem, sem qualquer lastro fático, e informa que adotará todas as medidas para a defesa de sua reputação, em especial pela denunciação caluniosa."

Na última segunda-feira, 15, Bolsonaro visitou por cerca de duas horas a sede do Batalhão de Operações Especiais (Bope), no Rio de Janeiro. Na ocasião, disse que "quem vai mandar no Brasil, serão os capitães" e tirou fotos com policiais militares.

O artigo 377 do Código Eleitoral prevê que o "serviço de qualquer repartição, federal, estadual, municipal, autarquia, fundação do Estado, sociedade de economia mista, entidade mantida ou subvencionada pelo poder público, ou que realiza contrato com este, inclusive o respectivo prédio e suas dependências não poderá ser utilizado para beneficiar partido ou organização de caráter político".

Estratégia digital

Em outro pedido, a coligação de Fernando Haddad afirma que tomou conhecimento pela imprensa de que a campanha de Bolsonaro mobilizou seguidores para tentar reverter episódios negativos por meio da distribuição via WhatsApp de conteúdo favorável ao candidato do PSL.

"É fato público e notório que a disseminação de publicações que degradam, a partir de informações falsas, o candidato Fernando Haddad, a candidata Manuela D'Ávila e a coligação 'O Povo Feliz de Novo' é intensa, danosa e recorrente", alega a coligação de Haddad.

Para a campanha de Haddad, "tudo leva a crer que a empresa de estratégia digital, bem como a campanha da coligação 'Brasil acima de tudo, Deus acima de todos', pode ter envolvimento nessa rede de produção e circulação de notícias falsas". A coligação de Haddad alega que a investigação é importante para evitar o desequilíbrio do pleito e o abuso do poder econômico, "uma vez que tal prática tem potencial suficiente a comprometer o equilíbrio do pleito eleitoral de 2018".

Nota da AM4, enviada pela campanha de Bolsonaro

"A AM4 recebe com repúdio e indignação a notícia sobre o pedido de investigação apresentado pela Coligação "O Povo Feliz de Novo".

O pedido não aponta - por inexistir - qualquer fato concreto, baseando-se apenas no expressivo número de seguidores do candidato à Presidência Jair Bolsonaro no Instagram e Facebook, como se, supostamente, tivessem origem em informações falsas.

O sucesso de Jair Bolsonaro nas redes não é de agora - é resultado de um trabalho de muitos anos, tanto dele, quanto de seus filhos, que cativaram milhões de brasileiros, tornando-lhes participantes ativos na campanha.

Neste ano, o desempenho do candidato nas redes sociais é diretamente proporcional à sua performance eleitoral e à recepção do eleitorado brasileiro à sua candidatura, nas redes, nas ruas e nas urnas.

A AM4 atua há 19 anos completamente dedicada à inteligência digital, com respeito absoluto à ética, à transparência e à legalidade, e emprega dezenas de funcionários, atendendo a grandes clientes de diversos segmentos em todas as regiões do Brasil.

A investigação requerida pela Coligação "O Povo Feliz de Novo" evidencia tão somente o despreparo da candidatura adversária em compreender o cenário atual das eleições e do próprio eleitorado, mais dinâmico e digital. O sucesso da campanha digital de um candidato com apenas 8 (oito) segundos de televisão é fruto de trabalho árduo e que não foi construído às vésperas.

Por fim, a AM4 reitera que nega veemente as acusações irresponsáveis, que, aliás, foram baseadas em apenas uma única reportagem, sem qualquer lastro fático, e informa que adotará todas as medidas para a defesa de sua reputação, em especial pela denunciação caluniosa da Coligação "O Povo Feliz de Novo", fato tipificado como crime no art. 339 do Código Penal."

Estadão
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