PUBLICIDADE

Ciro diz que aborto não é assunto de presidente em ato do PDT para 'cristãos trabalhistas'

Presidenciável criticou declarações de Lula sobre o tema; Carlos Lupi, presidente do partido, afirmou que a extrema direita "cooptou" segmentos da sociedade e tenta se apropriar do cristianismo

30 abr 2022 21h58
| atualizado às 22h57
ver comentários
Publicidade

BRASÍLIA - O pré-candidato ao Palácio do Planalto Ciro Gomes (PDT) disse neste sábado, 30, que o aborto não é uma questão a ser tratada pelo presidente da República e fez críticas a declarações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o assunto. O ex-ministro participou de um ato, em Brasília, no qual o PDT lançou o Movimento Cristãos Trabalhistas, com o objetivo de aproximar o partido das igrejas evangélicas e católicas.

"Chega na véspera da eleição e o Lula vem, descuidadamente, e diz 'todo mundo deveria ter direito ao aborto'. Como assim cara pálida? Que leviandade, que pressa, que contradição. Não foi ele que mandou no Brasil por 14 anos? Ele próprio, oito anos presidente, não mexeu uma palha no assunto. Eu não o condeno por isso, porque não é tarefa do presidente. Isso é um trauma que qualquer sociedade humana não sabe como resolver. Não sabe pura e simplesmente", afirmou Ciro, em referência a uma declaração dada por Lula, seu adversário na corrida pela Presidência, no começo deste mês.

Cooptação

No ato do Movimento Cristãos Trabalhistas, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, disse que a extrema direita "cooptou" segmentos da sociedade e tenta se apropriar do cristianismo, numa crítica velada ao presidente Jair Bolsonaro. O chefe do Executivo conta com amplo entre os evangélicos, mas seus adversários na disputa eleitoral deste ano tem tentado conquistar o voto desse segmento da população.

"Querem impor a ideia de que todo cristão, sobretudo os evangélicos, é conservador e de direita, mas isso não é verdade", disse Lupi. "A criação do Movimento Cristãos Trabalhistas do PDT, um diferencial na política atual, vem justamente para mostrar a outra face da cristandade, inclusive, arrisco a dizer que é a verdadeira face de amor, solidariedade e fraternidade", emendou.

Os presentes exaltaram Leonel Brizola, figura simbólica do PDT, criticaram o governo Bolsonaro e condenaram pautas de apoiadores do presidente como o armamentismo e a máxima "bandido bom é bandido morto". "Bandido bom é bandido restaurado por Deus", afirmou o pastor Alexandre Gonçalves, integrante do movimento Cristãos Trabalhistas. "Nós não votamos em mitos ungidos", emendou.

Hostilidades

Neste sábado, Ciro também comentou as hostilidades que sofreu de bolsonaristas enquanto caminhava na feira de tecnologia Agrishow, nesta quinta-feira, 28. O pedetista ouviu xingamentos e bateu boca com apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Ao ser abordado por um homem, o ex-ministro reagiu com um movimento brusco.

"O que está em marcha no Brasil é uma escaramuça golpista, de natureza fascista, envolvendo generais, por enquanto, de pijama, mas alguns generais da ativa começam a dar opinião sobre processo eleitoral. Eu vou demarcar um campo muito nítido contra isso", afirmou Ciro. "Não há bandido nazista, fascista, muito menos um bocó, bandidaço como Bolsonaro que me limite. Eu não sou o Lula que vou me refugiar em bolha. Eu vou para a rua, vou escalar o morro, vou para a favela, vou para a praça pública, e eles que venham e vamos ver como vai ser."

Estadão
Publicidade
Publicidade