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Candidata do PSOL ao governo de São Paulo descarta aliança de esquerda no 1º turno

Em entrevista à 'Rádio Eldorado', professora Lisete Arelaro afirmou que sua pauta será focada em educação e defendeu que universidades estaduais recebam mais investimentos

23 jul 2018
10h11
atualizado às 10h44
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SÃO PAULO - A professora Lisete Arelaro, candidata do PSOL ao governo de São Paulo, descartou a possibilidade de uma aliança entre as frentes de esquerda no primeiro turno do pleito das eleições 2018 no Estadoe afirmou que a sua pauta será focada em discussões sobre educação. As declarações foram dadas em entrevista para a Rádio Eldorado, que iniciou nesta segunda-feira, 23, as conversas com os cinco candidatos ao governo de São Paulo mais bem colocados nas pesquisas de intenções de voto. Além de Lisete, a emissora ouvirá Paulo Skaf (MDB), Márcio França (PSB) e Luiz Marinho (PT). João Doria, do PSDB, afirmou por meio de sua assessoria que não vai participar.

Questionada sobre a possibilidade de uma união das siglas de esquerda no primeiro turno, Lisete descartou a ideia. "Vamos manter nossa candidatura, temos um projeto que diverge dos outros e queremos espaço para nos apresentar. Seria falso dizer que temos similitudes (com outros partidos)", afirmou, dizendo que, no segundo turno, a conversa pode ser diferente. No cenário nacional, a estratégia deve ser semelhante, já que o PSOL oficializou no sábado, 21, a candidatura de Guilherme Boulos à Presidência. A única coligação do partido hoje é com o PCB, que não acrescenta tempo de TV à candidatura.

A candidata, que é pedagoga e doutora em Educação, criticou o tempo de propaganda gratuita eleitoral concedido para as legendas menores. "É desproporcional. Coloca para um partido pequeno, mesmo com boas propostas, uma dificuldade quase insuperável para ter condições de disputa minimamente proporcionais", afirmou.

Durante a conversa, Lisete defendeu a necessidade de aumentar o investimento em educação no Estado de São Paulo, em especial no ensino superior. Ela defende que as universidades estaduais paulistas (USP, Unesp e Unicamp) recebam 11% da arrecadação do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e não mais os 9,57% atuais. Segundo ela, para que a mudança ocorresse, bastaria que o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) "tivesse sido menos generoso com desonerações". Sua proposta é reduzir as desonerações e tirar dali o dinheiro que a educação precisa.

Ela também criticou as propostas de corte de gastos na USP, onde já dirigiu a Faculdade de Educação entre 2010 e 2014, que estimularam profissionais a se demitirem voluntariamente sem ter havido preenchimento de todas as vagas de quem saiu.

Jovens e terceira idade

Para a candidata, um dos maiores desafios de sua campanha será superar o "cansaço" que a população tem apresentado com a política. Em 14 de junho, reportagem do Estado mostrou que seis em cada dez mulheres têm declarado votos brancos e nulos nas últimas pesquisas de intenção de voto. "Tem muitos jovens dizendo que não vão votar. Mas eu quero convencer até a terceira idade de que tem de votar. Quero disputar a juventude e também meus colegas mais experientes", disse.

Na entrevista, Lisete criticou a proposta de privatização de parques, como já propôs o ex-prefeito paulistano João Doria. "É um absurdo", avalia. Ela também reprovou a privatização em outras instâncias do Estado, como na saúde e no forcimento de água na capital paulista.

Estadão
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