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Bolsonaro diz que Forças Armadas têm 'leitura política' do que está acontecendo no Brasil

Declaração do presidente é mais uma resposta ao ministro do STF Roberto Barroso que havia criticado tentativa de uso político dos militares

28 abr 2022 21h10
| atualizado em 29/4/2022 às 14h07
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BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira, 28, que as Forças Armadas têm "leitura política" sobre o País. A declaração vem na semana em que o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que a corporação estava sendo orientada a desacreditar o sistema eleitoral brasileiro.

"Um general de Exército tem no mínimo 44 anos de serviço. Sabe o que tem que fazer. Sabe o que tá na Constituição e têm leitura política do que está acontecendo no Brasil", afirmou o presidente, em transmissão ao vivo nas redes sociais. "Não é só efeito o que acontece dentro da caserna, mas fora também. Afinal de contas, o chefe das Forças Armadas é quem o povo eleger", acrescentou.

Bolsonaro também voltou a criticar a declaração de Barroso. "Forças Armadas vão receber orientação de quem? Ah, pelo amor de Deus", criticou. "Essa orientação só pode ser de mim, né, não vai ser de outra entidade". Crítico do Supremo, o presidente recomendou a quem assistiu à transmissão ao vivo assistir o discurso feito por ele ontem em cerimônia no Palácio do Planalto no qual fez ataques à Corte e ao sistema eleitoral brasileiro.

O presidente cobrou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acolha sugestões das Forças Armadas para supostamente aprimorar o processo eleitoral brasileiro. "Terão mais reuniões para convencer o TSE de que as sugestões das Forças Armadas, para o bem de todos, deveriam ser acolhidas", declarou o presidente em transmissão ao vivo nas redes sociais. "Tô vendo notícias na imprensa, se é verdade não sei, que eles não querem aceitar as observações das Forças Armadas", acrescentou, destacando que não há pedido para adoção do voto impresso neste ano, uma bandeira bolsonarista.

De acordo com Bolsonaro, o TSE precisa convencer a equipe técnica das Forças Armadas de que "eles (militares) estão errados". "Para o TSE, tá uma maravilha, vamos confiar nas eleições. E quem desconfiar? Continua desconfiando. O que posso garantir para vocês? Que teremos eleições limpas no corrente ano", afirmou o presidente, na live. "É o que todo mundo quer, acredito que sem exceção, a não ser aquelas pessoas que pensam em fazer algo que nós não concordamos, esse nós somos todos nós".

O presidente também comemorou a compra do Twitter pelo bilionário americano Elon Musk. "Mudou o humor do Brasil", disse o chefe do Executivo em transmissão ao vivo nas redes sociais. Ao comprar a plataforma por US$ 44 bilhões, Musk afirmou que sua prioridade seria "aumentar os limites da liberdade de expressão" da rede social. A iniciativa foi comemorada por bolsonaristas, que criticam os limites impostos no Twitter a compartilhamento de fake news.

De acordo com Bolsonaro, perfis de direita no Twitter ganharam maior número de seguidores após a compra por Elon Musk porque os algoritmos teriam respondido à aquisição. O presidente não apresentou provas sobre a declaração.

Presidente cita alta de preços de combustíveis

O chefe do Executivo voltou a apontar o preço dos combustíveis e dos alimentos, além da escassez de fertilizantes, como problemas do Brasil. "São poucos, mas são graves", declarou, na live. "Se Deus quiser, brevemente teremos nossos fertilizantes aqui, ou uma alternativa, como pó de pedra e potássio das algas", acrescentou. Nesta semana, o presidente disse que navios com fertilizantes russos estão a caminho do Brasil.

Bolsonaro ainda reforçou que gostaria que fossem construídas novas refinarias de petróleo no País, como forma de diminuir as importações em dólar e, consequentemente, o preço da gasolina na ponta da linha.

Bolsonaro volta a defender tratamento ineficaz contra covid-19

À revelia da ciência, Bolsonaro ainda voltou a defender o chamado tratamento precoce, comprovadamente ineficaz contra a covid-19, e citou o teste positivo para o coronavírus do ministro da Economia, Paulo Guedes. "Ele tomou três doses, duas da Coronavac, lá do seu Doria, e outra da Pfizer. E raríssimas vezes deixou de usar máscara", disse o chefe do Executivo, minimizando a eficiência da vacinação e do uso de máscaras para conter a pandemia, como atestam cientistas.

Ao citar o teste positivo para covid-19 da vice-presidente americana Kamala Harris, Bolsonaro precisou de ajuda de assessores para pronunciar o sobrenome da "número dois" de Joe Biden.

Estadão
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