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Aproximação entre Lula e Alckmin faz terceira via acelerar conversas por alianças

Simone Tebet encontra Doria e d'Ávila nesta quinta-feira em São Paulo

17 dez 2021 00h06
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BRASÍLIA - A possibilidade de o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin se tornar o vice na chapa encabeçada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acendeu um sinal de alerta entre os pré-candidatos da terceira via. Com Lula liderando as pesquisas, integrantes de partidos de centro veem a possibilidade de que parte do seu eleitorado poderia apoiar o petista por causa da aliança com o agora ex-tucano.

Por causa disso, as conversas entre os integrantes da terceira via em torno da unificação das candidaturas foram ampliadas e devem se concentrar cada vez mais num antagonismo político a Lula.

O governador de São Paulo, João Doria, fez ontem, em Brasília, uma espécie de "tour de force" entre os outros grupos da chamada terceira via. Primeiro, o tucano se reuniu com o presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, num café da manhã, e se encontrou também com o senador Alessandro Vieira (SE), pré-candidato do partido ao Planalto. Depois, almoçou com a cúpula do futuro União Brasil, com a presença do presidente do PSL, Luciano Bivar, do presidente do DEM, ACM Neto, do secretário geral do PSL, Antonio Rueda, e do presidente do PSDB, Bruno Araújo.

Nesta quinta, em São Paulo, Doria se reunirá com a senadora Simone Tebet, pré-candidata do MDB, e com o presidente do partido, Baleia Rossi. Na sequência, conversa com o pré-candidato do Novo, Luiz Felipe d'Ávila. Na semana passada, Doria já tinha se encontrado com o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro e com a presidente do Podemos, deputada Renata Abreu.

Além da conversa prevista com Doria, Simone Tebet se reuniu ontem com Luciano Bivar. A cúpula do Podemos, que tem Moro como candidato, também procurou nesta quarta-feira o presidente do futuro União Brasil para discutir justamente esse novo cenário eleitoral.

As pesquisas mais recentes de intenção de voto para a eleição presidencial tem indicado a consolidação da vantagem de Lula e uma dificuldade para o crescimento dos nomes da terceira via. Pesquisa do Ipec mostrou, inclusive, uma espécie de freada no crescimento que Moro vinha mostrando nas últimas semanas.

Com isso, Doria e os outros pré-candidatos da terceira via decidiram ampliar as conversas em torno de uma caminhada mais alinhada contra Lula e Bolsonaro.

"Estamos no mesmo campo de atuação em defesa do Brasil e dos brasileiros. Um campo de centro democrático liberal social e distante dos extremos. Da extrema esquerda e da extrema direita", explicou o tucano.

"Devemos prosseguir no bom diálogo e no bom entendimento com vistas lá adiante, talvez no final do mês de abril ou no início de maio, termos a melhor avaliação para a chamada melhor via. Não chamo nem de terceira via. Uma via que possa trazer esperança para o País, que não precisará viver o pesadelo de enfrentar um segundo turno com a opção de Lula e Bolsonaro", acrescentou.

Essa necessidade de construção de unidade é reconhecida pelo senador Alessandro Vieira, que considerou importante a conversa com Doria. "Tivemos uma conversa bastante positiva sobre a necessidade urgente da construção de um projeto novo para o Brasil, baseado nas melhores experiências de gestão, com técnicos qualificados e ajustes políticos transparentes", disse o senador.

A perspectiva de ter de enfrentar uma chapa com Lula e Alckmin já deflagrou o começo das críticas ao movimento do ex-governador.

"Respeito se essa decisão for consolidada pelo ex-governador Alckmin, ficando ao lado do ex-presidente Lula. Mas eu serei combativo, não só em relação a Lula, mas, se o tiver ao seu lado, também ao ex-governador. Serei educado, como sempre fui. Mas serei combativo em relação a essa opção. O Brasil já viveu o pesadelo do PT. Está vivendo o pesadelo bolsonarista. Precisamos ter outra opção que traga esperança e novas perspectivas para o País", disse Doria, lembrando que a opinião pública julgará a mudança de lado do ex-governador.

Com Lula acelerando a formação de sua chapa, também aumentou a pressão pela definição sobre quem toparia abrir mão da candidatura na terceira via para assumir a vaga de vice. Doria tem repetido que deseja ter uma mulher como companheira de chapa, o que aumenta seu interesse por uma aliança com Simone Tebet ou com a deputada Renata Abreu, presidente nacional do Podemos, numa composição com Sérgio Moro - que já disse que não topa ser vice ou candidato ao Senado.

Já no União Brasil, as conversas parecem caminhar mais facilmente na direção de topar uma composição desse tipo. Nesse caso, Bivar seria o nome preferido, embora o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta seja uma alternativa importante.

Vice-presidente nacional do PSL é um dos coordenadores da campanha de Moro, o deputado federal Júnior Bozzella (SP) acredita que Bivar seria a melhor opção de vice para Moro.

"Essas são conversas importantes e que precisamos intensificar. Na minha opinião, Luciano Bivar seria o vice perfeito para a chapa de Moro. Mas precisamos convencer Bivar a topar isso", disse Bozzella ao Estadão.

Estadão
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